Um verdadeiro aparato do poder público foi mobilizado na manhã de ontem para efetuar a remoção de cem cachorros abrigados numa chácara no bairro rural do Paiolzinho. Só da Vigilância Sanitária Municipal foram convocados 12 profissionais, além de homens das Polícias Ambiental e Militar, da Guarda Municipal e do Poder Judiciário.
A área pertence à professora Maria Luiza Pereira Rosa, 46, voluntária da ONG Cão que Mia, que recolhe animais nas ruas. No fim da operação, 94 animais foram apreendidos. Maria Luiza conseguiu ficar com seis cães. No local, a professora chegou a abrigar 200 cachorros.
O processo que terminou com a apreensão dos cães se arrasta há mais de seis meses. Vizinhos protocolaram um abaixo-assinado na Prefeitura reivindicando intervenção na chácara devido ao barulho e mau cheiro. Fiscais da Vigilância Sanitária estiveram no local e confirmaram os problemas: superlotação, falta de higiene e maus-tratos.
Segundo o chefe da Vigilância Sanitária, Fernando Baldochi, a proprietária foi notificada a retirar os bichos e melhorar as condições. Chegou a ser multada (R$ 1 mil) por descumprir a determinação, mas não resolveu o problema. O processo foi encaminhado para a Justiça, que determinou a transferência dos cães e a interdição do espaço.
Em razão da quantidade de animais, a equipe demorou cerca de uma hora e meia para remover os cães para o Canil Municipal, onde permanecerão até a Justiça decidir que destino terão. Uma lei estadual, em vigor desde 2008, proíbe o sacrifício dos animais. “Vamos aguardar uma nova decisão. Até isso ocorrer, somos responsáveis pela apreensão e guarda deles”, disse Baldochi.
<b>Ouça abaixo Fernando Baldochi, chefe da Vigilancia Sanitária de Franca:</b>
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A chácara possui um canil cercado com alambrado e uma casa. Ontem os dois espaços estavam cheios de fezes, cujo cheiro era sentido de longe. “A sujeira pode atrair moscas e outros vetores e transmitir doenças. Os cachorros (doentes e sadios) também não estavam separados adequadamente”, disse Baldochi.
Outro fato que chamou a atenção foi a falta de água e comida para os animais. “Infelizmente a situação encontrada é insalubre e de descuido. O acúmulo de fezes é de muitos dias. Eu lamento alguém falar que cuida dos animais e os deixar nestas condições”, disse André Szabo, fiscal sanitário da Prefeitura.
A voluntária poderá sofrer outras sanções. A Polícia Ambiental aguardará laudo da Vigilância Sanitária que comprove maus-tratos aos animais e poderá aplicar multa também por esse crime. Maria Luiza ficou exaltada com a retirada dos cachorros e disse que os manterá na chácara (leia no apoio).
Essa foi a segunda vez que a professora Maria Luiza enfrentou problemas com a Justiça por maneira inadequada de cuidar dos cachorros. Em novembro de 2007, a Prefeitura retirou 54 cães de sua casa, na Cidade Nova, região central, e a multou. Maria Luiza, então, montou seu canil na chácara de sua propriedade.
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