A professora RF, 41, que foi promovida este ano ao cargo de coordenadora educacional da Escola “Lydia Rocha Alves”, no Jardim Santa Bárbara, quebrou o silêncio. Em entrevista exclusiva ao Comércio, a vítima de ameaças proferidas por três estudantes com idades entre 12 e 15 anos falou sobre os momentos de terror que viveu. “A gente faz um trabalho digno e de repente acontece isto”, disse.
As ameaças contra a nova coordenadora da escola começaram na manhã do dia 15 e duraram cerca de 24 horas. “Começaram a mandar mensagens e depois a ligar no meu celular”, relatou RF. Imaginando se tratar de uma brincadeira de algum menino que descobriu seu telefone, a professora não se preocupou. “As ameaças eram relativas só a mim. Nem dei muita bola”.
RF só começou a ficar preocupada quando, ainda na quarta-feira, um dos envolvidos ligou dizendo que sabia onde estudava o seu filho de 3 anos, qual era o nome dele e que iria deixá-lo dois dias sem comer e depois matá-lo. “Fiquei desesperada e vi que a coisa estava ficando séria”.
A partir de então, os telefonemas aumentaram. Nas ligações, os estudantes mandavam que ela fugisse. “Eles ligaram até durante a perícia no telefone solicitada pela delegada Graciela David (da DDM - Delegacia de Defesa da Mulher)”. A perícia foi feita por especialistas do Instituto de Criminalística da Polícia Civil.
Na quinta-feira, a DDM localizou os alunos que, além das ameaças via celular, colocaram um bilhete na caixa de correios da casa da vítima contendo uma munição calibre 22. “Não esperava que alunos da escola estivessem envolvidos. Para mim, foi uma surpresa”.
Uma das alunas que estavam ameaçando a coordenadora se machucou durante um evento na escola e RF prestou socorro, levando-a, junto com a mãe, até a Santa Casa. Na ocasião, a professora deixou o número do seu celular para que a garota ligasse assim que o procedimento médico terminasse. “Foi desta maneira que eles (alunos) tiveram acesso ao meu número”.
A mesma aluna sabia onde a professora morava porque frequentava o bairro e sempre parava na casa dela para pedir água. “Você faz até o que não é para fazer. Às vezes, deixa o pedagógico de lado para fazer outras atividades e, de repente, acontece isto”, desabafou a mulher.
TRANSFERÊNCIA
Uma das primeiras medidas socioeducativas foi aplicada pelo Conselho de Escola, que reúne, pais, professores, funcionários e direção da escola. Em reunião na última quarta-feira, o Conselho optou por transferir os alunos para outra escola. A medida foi aprovada por RF. “Eles têm que estudar, não podem ficar fora da escola. O lugar deles é dentro da escola. Espero que eles tenham sucesso, que aprendam a viver e não aprendam coisas ruins”.
Perguntada se perdoaria os alunos, a professora foi objetiva: “Estou magoada, abalada e não esperava isto deles. Mas não tem porquê não perdoar”.
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