No próximo sábado, dia 25, acontece em Franca mais um evento da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto (SBPRP), “Cinema e Psicanálise”. Segundo a idealizadora, Lenise Lisboa Azoubel, analista didata desta sociedade, “o objetivo é tornar acessível ao público o modo psicanalítico de pensar e também apresentar à comunidade os nossos analistas e candidatos”. Em Franca, organizou-se uma equipe que compôs uma subcomissão da SBPRP para a fundação e expansão deste trabalho. O grupo é formado pelas profissionais da área Ana Márcia Vasconcelos de Paula Rodrigues, Ana Regina Morandini Caldeira, Débora Mellem, Fátima Maria Cassis Ribeiro Santos, Josiane Barbosa Oliveira, Maria Luiza Lana Mattos Salomão e Sônia Maria Godoy. Em novembro de 2008 foi aberta a sessão inaugural, no anfiteatro do Hospital São Joaquim-Unimed, com casa lotada. A plateia que assistiu ao filme O Carteiro e o Poeta, dirigido por Michael Redford a partir do romance de Skármeta, reuniu médicos, advogados, educadores, jornalistas, escritores, psicólogos, universitários e outros, que em seguida participaram de troca de ideias com Ana Márcia. A segunda sessão aconteceu na Sede Campestre do Centro Médico, no dia 29 de março. O filme então exibido e posteriormente comentado por Ana Regina foi Frida, da diretora Julie Taymor. No sábado será a vez de O Piano,de Jane Campion, que Débora Mellem, psicóloga e psicanalista, vai analisar e, depois, discutir com o público. É ela também quem assina o texto que se segue. “O Piano, esse clássico do cinema, um romance que contém aspectos dramáticos, nos apresenta uma estória que ocorre em 1870, em terras colonizadas pelos britânicos. Ada, uma mulher excêntrica, muda desde os 6 anos de idade, faz uma longa viagem da Escócia para a Nova Zelândia em busca de um marido que não conhecia, para cumprir um contrato matrimonial. Ela leva consigo Flora, sua filha, e uma surpreendente ‘bagagem’, um piano, do qual não podia separar-se, visto que ele era a sua ‘voz’, transmitindo seus sentimentos através da música. Seria uma insensatez levar um instrumento refinado para um terreno pantanoso, íngreme, cheio de nativos maoris? Penso que não. Este filme mostra os aspectos primitivos e civilizados que habitam em todos nós. Alisdair Stewart, fazendeiro e futuro marido de Ada, não vê utilidade naquele pesado instrumento, alega dificuldades para o transporte e o deixa na praia. Além disso, apesar da revolta de Ada, entrega o piano para seu administrador e vizinho, George Baines, em troca de terras. Este vizinho, um homem rústico, que não sabia ler nem escrever, mostrou-se sensível, sofisticado emocionalmente, percebendo o valor daquele instrumento na vida da mulher, pela qual se sentiu atraído. Baines desejava Ada e esta queria seu piano. Os dois fizeram um acordo no qual Ada podia tocar o piano e até obtê-lo de volta, em troca de favores eróticos. Assim começa um romance proibido, uma aproximação gradativa, um desnudamento de corpo e alma, uma estória de amor e dor. Esse filme nos permite entrar em contato com aspectos profundos da mente humana. Podemos refletir sobre possíveis traumas emocionais que bloqueiam a comunicação verbal, até gerar a mudez. É também possível observar os aspectos de isolamento, as barreiras ou conchas protetoras que são erguidas para evitar desilusões insuportáveis e sentimentos de vazio. E mais, as ‘falhas básicas’ que provavelmente ocorreram na formação da personalidade de Ada, nos levam a compreender melhor a importância da função materna e da função paterna no desenvolvimento psíquico. Essa estória embora antiga é também contemporânea, pois vivemos ‘a clínica do vazio’, ou seja, pessoas que buscam a psicanálise, manifestando uma variedade de sintomas psicológicos por se sentirem presas em áreas primitivas de suas personalidades, que não se desenvolveram. O Piano é um filme esperançoso, comovente, no qual a linguagem musical e o contato humano revelados permitem circular emoções que estavam trancadas, congeladas, promovendo a elaboração de perdas e a abertura para novos relacionamentos mais felizes.” SERVIÇOS O que: Cinema e Psicanálise - O Piano Quando: 25 de abril, às 15 horas Onde: Sede Campestre do Centro Médico de Franca Inscrições: R$ 5 Reservas: (16) 3723-2815
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