Para aproveitar uma demanda de mercado e assim fugir da crise, os calçadistas de Franca têm investido cada vez mais na fabricação de sapatos femininos. O destaque são as botas, consideradas as vedetes desta época do ano. No Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) há dados de mais de cem empresas envolvidas nesse tipo de produção sem deixar de lado o sapato masculino. O motivo da diversificação é o fato das mulheres comprarem bem mais sapatos que os homens. São em média dois pares a cada nova estação.
A Calçados Stefanello é uma das que resolveram investir nos pés da mulherada. A produção de botas na fábrica do Jardim Aeroporto I já se equiparou à de calçados masculinos e até ajudou a aumentar o quadro de funcionários, que de 55 passou para 76. “Apostamos nas botas em 15 de janeiro e estamos na segunda coleção. A aceitação é muita boa, tanto que 48% da nossa produção é à vista”, disse o empresário Jayme Borges.
Na Calçados D’Milton a produção de feminino começou há dez anos e hoje responde por 60% dos mil pares produzidos diariamente. Diretor industrial da empresa, Carlos Antônio Barbosa Costa comemora e diz que essa tem sido a saída para fugir do período sazonal no qual os homens deixam de comprar sapatos.
“Se não fosse o sapato feminino a nossa situação poderia não ser das melhores, pois a queda nos pedidos de calçados masculinos nesta época é grande”, disse Costa. Com 120 funcionários, a empresa tem uma linha de botas exclusiva para festas agropecuárias e de rodeio e acredita que esse é um dos seus diferenciais. “Estamos nos aproximando do inverno e o circuito de festas está começando, o que favorece as nossas vendas”.
Diretor da Francajel, Túlio Hajel disse que a produção de femininos ajudou a fábrica a manter seu quadro de funcionários durante esse período de recessão, mas lembrou que o processo de fabricação dos femininos começou em janeiro do ano passado. “Não se faz uma mudança dessas da noite para o dia. É preciso que haja planejamento, um estudo detalhado”. Na Francajel, 30% da produção de 2 mil pares/dia é voltada para o público feminino.
O presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão, defende a produção e diz que 20% das fábricas da cidade fazem calçado feminino, de maneira mista ou exclusiva. “Franca tem todas as condições de fazer um sapato feminino de qualidade, prova disso é a Carmen Steffens. No entanto a cidade nunca deixará de ser referência no masculino. A saída para o feminino é viável em termos de vendas, já que as mulheres consomem mais do que os homens”.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.