A psicanálise, criada por Sigmund Freud em 1896, pode ser definida como um procedimento para a investigação de processos mentais, bem como um método terapêutico. Dá-se também o nome de psicanálise à escola de pensamento que engloba todas as correntes do freudismo.
Ainda que ramificada por diversos relances e formas de interpretação, há aspectos básicos na psicanálise enquanto corpo teórico e prática clínica que não deveriam ser esquecidos: uma leitura cuidadosa da extensa obra de Freud nos esclarece ser ela, fundamentalmente, um movimento, digamos, contracultura que não pode se conformar em estruturas normativas, nem tampouco engendrá-las.
Daí a grande discussão na formação de psicanalistas: uma formação que requer rigor, mas que não pode ceder à rigidez. Como instrumento para a expansão e não para o retraimento, libertação e não aprisionamento ideológico é ao que, em última instância, a psicanálise se presta.
Partindo do princípio de que a formação de um psicanalista deve ser contínua e que a este interessa uma filiação, foi criado, a partir de várias dissidências, em 1985, o departamento de psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae. O objetivo era o de se construir como um local de pertinência que favorecesse a formação permanente, necessária e desejável para a “constituição do ofício de psicanalista e para a contínua e reinvenção singular da psicanálise”.
<b>EM FRANCA</b>
A novidade é que o Sedes Sapientiae, por meio de seu Grupo de Transmissão e Estudos de Psicanálise (GTEP), responsável pela difusão da disciplina fora dos limites do instituto, na capital, abriu inscrições até sexta-feira, dia 24, para a formação do seu segundo grupo em Franca, com aulas mensais aos sábados no Comfort Hotel.
O curso ocorre em quatro módulos de sete meses. Ao final disso, quem desejar, poderá se candidatar à atuação como formador e garantir a continuidade de sua própria formação, porque subentende-se que todo aquele que ensina continua a aprender.
Para ser admitido ao grupo o candidato precisa ter graduação superior, não necessariamente em psiquiatria ou psicologia e alguma experiência com trabalho clínico.
“É fundamental a terapia/análise pessoal do candidato em questão, uma vez que esta é instância importante até mesmo para a formação de todo aquele que se dispõe ao estudo da psicanálise. Não há exigência, porém, que esta análise seja com um analista didata do Instituto”, explica o psiquiatra Ronaldo Jacintho Mendonça, que, ao lado da psicóloga Eliana Pádua, vem articulando a integração do grupo do Sedes em Franca.
“A orientação teórica segue uma composição do freudismo e dos pós-freudianos das correntes inglesa e francesa. O que se propõe é uma integração dessas correntes”, acrescenta o psiquiatra.
Congregando atualmente mais de 300 psicanalistas em seu departamento, o Sedes é uma filiação interessante porque universalista e descentralizada. Os custos para o curso ministrado em Franca, em se tratando de um grupo de autogestão, são muito mais atrativos, já que rateados eliminam os gastos com locomoção e hospedagem que implicariam para os francanos que desejassem cumpri-lo no Instituto Sedes Sapientiae em São Paulo.
<b>O SEDES SAPIENTIAE</b>
Em 1933 foi fundada em São Paulo a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras “Sedes Sapientiae”, a primeira do Brasil e, em 1940, começou a funcionar, na Faculdade de Filosofia, a Clínica Psicológica, um espaço para a formação de psicólogos, o que contribuiu para a regulamentação da profissão, em 1962.
Madre Cristina Sodré Dória (1916-1997) incentivou e lutou pela criação, em 1975, de um espaço propiciador do encontro entre pensamento, atuação e trabalho junto à sociedade, comprometido com a defesa dos direitos humanos e da liberdade de criação.
Nasce, a partir disso, o Instituto Sedes Sapientiae, como um centro multidisciplinar de reflexão, formação permanente e prestação de serviços.
O Instituto Sedes Sapientiae é hoje uma entidade filantrópica e autossustentável de ensino conhecida e reconhecida internacionalmente.
Informações pelo telefone (16) 3721-7911 ou na Rua Doutor Alcindo Ribeiro Conrado, 1239.
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