Os pedidos para pagamento de água, energia elétrica ou doação de cestas básicas não são os únicos feitos pela população aos vereadores de Franca. A lista tem ficado mais "cara" e diversificada, com solicitações que vão de caixão, viagens de férias até a casa própria. A vaidade também chegou aos gabinetes da Câmara Municipal e há quem já pediu uma cirurgia estética.
Geralmente são os assessores que têm o primeiro contato com o público. Como sabem que tais doações não são atribuição do vereador, tratam logo de resolver o problema, negando o pedido.
A movimentação nos gabinetes dos vereadores é constante. Alguns parlamentares chegam a atender até 120 pessoas por mês. Cada uma com um pedido distinto. Os mais comuns tratam de dinheiro para pagar contas domésticas, comprar comida e remédio. Nestes casos, são orientados a procurar os CRAS (Centros de Referência da Assistência Social). Mas há algumas situações que fogem do comum protagonizadas por pessoas bem instruídas. Elas arriscam o pedido para, quem sabe, realizar um sonho de consumo.
O Comércio ouviu 13 pessoas, entre assessores e vereadores, sobre o assunto. Os que mais relataram solicitações foram Otávio Pinheiro (PTB), Miguel Laércio (PP), o Laercinho, e Marcelo Valim (PSDB). "Já me pediram um terreiro de café para uma fazenda", disse Laercinho. O vereador coleciona, ainda, pedidos para bolsa de estudos em escola particular, viagens de lazer e água para encher piscina. Uma mãe chegou a procurá-lo para pedir uma cirurgia plástica para a filha seguir a carreira de modelo.
O pastor Otávio Pinheiro foi procurado por outras razões, não menos absurdas. Já pediram a ele decoração para uma festa de casamento e a doação de um caixão. O primeiro ele bem que tentou. Ofereceu o casamento coletivo da Assembleia de Deus com igreja decorada e patrocinada pela organização. "O sonho da pessoa era ter igreja decorada, mas disse que não tinha dinheiro para bancar individualmente. Estava disposto a ajudar com o casamento gratuito da igreja".
Já o caixão, o vereador revela que daria um jeito de conseguir, mas não deu tempo. A família que precisava da urna ligou para a casa do vereador à noite, quando ele ainda estava na sessão da Câmara, mas ele só recebeu o recado com o pedido 12 horas depois, quando o funeral já estava pronto.
Para Cláudia Silva, assessora do vereador Marcelo Valim (PSDB), a quantidade de pedidos e a variedade de histórias que chegam ao gabinete são tantas que fica difícil escolher um. "Daria para escrever um livro", disse ela. Cláudia contou que um dos pedidos foi de um rapaz que queria o encaminhamento para um sexólogo porque não estava se relacionando bem com a mulher. Já uma família carente pediu uma casa com uma bicicleta dentro. Nenhuma das solicitações foi atendida.
Pela lei, a função do vereador é fiscalizar as ações do Executivo, elaborar projetos de lei que beneficiem a população e sugerir à Prefeitura melhorias para a comunidade.
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