Facção criminosa proíbe táxis no Aeroporto


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<b>PERIGO ANUNCIADO</b> -  Vista do Jardim Aeroporto em imagem de arquivo: taxistas temem ação de bandidos na região
<b>PERIGO ANUNCIADO</b> - Vista do Jardim Aeroporto em imagem de arquivo: taxistas temem ação de bandidos na região
Membros de uma facção criminosa com base na zona sul proibiram a circulação de táxis nos jardins Aeroporto, Aviação e Santa Bárbara entre os dias 5 e 6 de abril. Os veículos só voltaram a transitar na região após um encontro entre taxistas e integrantes do bando que controla o crime organizado no complexo. A informação foi confirmada por vários motoristas e atendentes de centrais de táxi da cidade. Com medo dos marginais, todos os entrevistados se negaram a fornecer nomes. A “ordem” imposta pela facção ocorreu, segundo apurou o Comércio, depois que um grupo de taxistas tentou fazer “justiça com as próprias mãos”, mas errou o alvo. Entre os profissionais do ramo há códigos enviados via rádio para alertar sobre possíveis situações de risco. Um taxista que estava no Jardim Aeroporto enviou mensagem em código sobre roubo em andamento. Pelo menos dez outros taxistas ouviram o pedido de socorro e se deslocaram para o complexo. No trajeto, um outro taxista, que não ouviu a mensagem do roubo e estava no Jardim Aeroporto II, também pediu apoio, mas por outro motivo. Os motoristas que estavam nas imediações confundiram as solicitações e prestaram auxílio ao segundo colega. O grupo chegou agredindo o passageiro, imaginando que se tratava de um assaltante. Na verdade era um dos membros da facção, que discutiu com a mulher dentro do táxi e, nervoso, quebrou o retrovisor do carro que ocupava. Além disso, disse que o motorista não deixaria o local enquanto a companheira não saísse do veículo. Após a agressão, o grupo deixou o bairro, enquanto o rapaz agredido, com o apoio da mulher, foi para a casa de familiares, onde tratou com medicação caseira os ferimentos. <b>REAÇÃO</b> A agressão ocorreu no fim da noite de sábado, 4. Logo em seguida, os outros membros da facção tomaram conhecimento da situação e começaram a se articular no sentido de vingar o ocorrido. Comunicaram as duas principais centrais de táxis que seus carros estavam proibidos de circular no bairro, sob ameaças de agressão e assassinato. O aviso foi enviado via telefone e rádio aos atendentes das agências e taxistas. No início imaginou-se tratar de um trote, mas quando os veículos começaram a ser parados em plena via pública pelos marginais e os profissionais ameaçados, as centrais passaram a recusar as corridas que tinham como destino ou ponto de partida o Complexo Aeroporto. Temendo prejuízos, vários taxistas das duas agências conseguiram marcar uma reunião com os integrantes da facção na segunda-feira, 6. O homem agredido também participou do encontro e, após receber pedidos de desculpas, a facção liberou a circulação dos carros das duas centrais em toda a zona sul. Em momento algum, por receio dos taxistas, a polícia foi comunicada dos acontecimentos. O delegado Dalmo Mateus Pólo, responsável pela área do Jardim Aeroporto, disse que não sabia da proibição imposta por criminosos do bairro aos taxistas. Ele afirmou que atitudes como essas são isoladas, mas acabam amedrontando as vítimas. Afirmou que a polícia tem o controle da situação e tem esclarecido roubos a taxistas na região do Aeroporto. “Esta semana mesmo, identificamos um autor de vários crimes do tipo. O estado ilegal não pode se sobrepor ao Estado legal. Continuaremos com operações e diligências para coibir a ação dos criminosos em nossa área”.

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