Corações fanáticos


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A vida de qualquer pessoa muda a partir de uma paixão. Objetivos de vida, valorização de si próprio e o cotidiano são traçados a partir da convivência mútua. É assim que os torcedores fanáticos por times de futebol lidam com suas "caras-metades": o clube do coração. Eles têm bandeira, camiseta, pôster, tatuagens pelo corpo, o quarto todo decorado, viajam centenas de quilômetros para assistir aos jogos e gastam muito dinheiro com tudo isso. Ser torcedor torna-se um estilo de vida para esse grupo seleto. O lugar mais fácil para encontrar pessoas com essas paixões são as torcidas organizadas ou os sócio-torcedores. No futebol, essa atração incontrolável de algumas pessoas é notável e aqui em Franca gente com esse estilo está espalhada pelos quatro cantos da cidade. O ponto alto de todo aficionado, principalmente de quem experimenta um amor muito forte por um time de futebol, é nas fases decisivas dos campeonatos, como é o atual período. No Campeonato Paulista da Série A deste ano, Palmeiras e Santos, São Paulo e Corínthians decidem as duas vagas para a final. Hoje, às 18h10, tem jogo entre o Verdão e o Peixe. Amanhã, às 16 horas, o Tricolor enfrentará o Timão. Todas as partidas serão realizadas na capital paulista. O Se Liga foi procurar esses apaixonados por aqui. Um lugar certo para encontrá-los foram as filiais não-oficiais de torcidas organizadas dos clubes da capital paulista. Homens e mulheres que mudaram sua vida em função do clube que amam e o acompanham a todo custo. Um destes personagens desse modo de vida é Jhonas Augusto Venâncio, 26. Santista tanto de nascimento como de coração, esse vendedor é atualmente um expoente da organizada Torcida Jovem. Ele não mede esforços nem dinheiro para assistir aos jogos do Santos. "Em 2007 fiz um balanço e gastei R$ 10 mil com viagem durante o ano. Tenho fotos e vídeos dos lugares onde fui ver as partidas. As finanças acabam sendo controladas em função das partidas do Santos", disse Venâncio, morador na Vila Formosa. E não só as contas do mês mudam para quem é torcedor fanático. A são-paulina Aila Caroline Brandão Gomes, 16, estudante do 3º ano da Escola “Ângelo Scarabucci”, conheceu o namorado justamente por causa do São Paulo. "Conheci meu namorado pela internet. A gente marcou de se encontrar umas três vezes antes de jogos e não deu certo. Aí em 19 de outubro, no Campeonato Brasileiro do ano passado, a gente se conheceu pessoalmente. Ele é o vice-presidente da uma organizada antiga que está voltando, a Falange Tricolor", afirmou. E dá para imaginar alguém que resume seu próprio negócio e a vida a partir de um time? Claro que sim. Sérgio Antônio de Souza, 34, é conhecido na cidade, principalmente no Complexo Aeroporto, onde tem sua lanchonete na Avenida Carlos Roberto Haddad, por ser corintiano doente. Ele tem tatuado nas costas uma declaração de amor ao Corínthians: "Tu és meu primeiro amor". Até enfrentar o descontentamento da família algumas vezes compensa se for para seguir o time. "Meu pai não gosta muito porque fala que gasto muito (dinheiro) e além disso tem medo da violência nos estádios. Mesmo assim não tem como deixar o Palmeiras", contou o palmeirense roxo e estudante de Direito na Unifran, Wellington Dias, 21. Como hoje é dia de jogo, o próprio Wellington já separou R$ 110 para assistir a Palmeiras e Santos neste sábado. O concorrente Jhonas vai ficar em Franca, já que tem visita de parentes, mas no horário da partida é sagrado: estará na frente da televisão. Amanhã, Aila deve seguir com o "bonde" formado por amigos são-paulinos e encontrará seu namorado no jogo São Paulo e Corínthians. Sérgio Antônio está com seu lugar reservado no Estádio Morumbi também.

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