Bares são a paixão na noite de Belo Horizonte


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<b>Delícia!</b> - Um dos pratos vencedores do festival: carne, provolone à milanesa e molho de mostarda com limão.
<b>Delícia!</b> - Um dos pratos vencedores do festival: carne, provolone à milanesa e molho de mostarda com limão.
Quer ver os olhos de qualquer belo-horizontino brilhar é falar com ele sobre os bares da capital mineira e suas noites sempre muito alegres e festivas. Boteco é uma instituição reverenciada em Belo Horizonte e o número total deles fica por conta da imaginação e da empolgação de cada um. Cinco mil, 7 mil, 10 mil deles, diriam os mais exagerados. Mesmo que o número nunca seja fechado, o fato é que os bares de BH são a principal atração da cidade logo que o sol começa a baixar. Andando pelo Centro da cidade, é fácil entender por que são tantos e tão prestigiados, quanto mais simples e despojado for o lugar. “As pessoas gostam porque aqui se fazem amizades, relacionamentos começam em torno da mesa. As conversas são sempre amistosas e tudo é motivo de comemoração”, disse o relações-públicas Marcos Batista. A cidade que é conhecida por ser a capital nacional dos bares e a cidade com altíssima relação de mulheres para cada homem, tem 2,5 milhões de habitantes e um ar interiorano que a destaca de qualquer grande metrópole, a ponto de ser considerada por muitos a melhor da América Latina em qualidade de vida. Bem policiada no Centro, é um convite a andar a pé por suas ruas arborizadas. Fundada em 1897, Belo Horizonte foi planejada para abrigar a sede administrativa do governo mineiro, mas mudanças estão em curso. Defasado em suas instalações, o Palácio da Liberdade, em frente à praça com o mesmo nome, deixará de abrigar o Executivo do Estado, que, em poucos meses, mudará para prédios construídos na periferia da cidade. Os imóveis ocupados pelo governo devem, então, dar lugar a novos museus, aumentando ainda mais as opções de lazer em uma cidade já muito bem servida por uma produção artística e cultural que mistura tradição, regionalismos e vanguarda. <b>COMIDA DI BUTECO</b> A paixão da cidade pelos seus botequins levou à criação de um projeto que hoje já virou gripe, empresa e foi exportado para o Rio de Janeiro, Salvador e Goiânia. O festival gastronômico está em sua décima edição e a cada ano atrai mais adeptos e simpatizantes. De olho não em alguma premiação, mas na visibilidade que o festival permite, bares e botecos de Belo Horizonte inteira se inscrevem para participar. Após inscritos, os estabelecimentos passam a receber visitas dos organizadores do concurso, sem que os proprietários saibam. Nas incursões sorrateiras, são avaliados os melhores tira-gostos, a temperatura da cerveja, atendimento e higiene. Para quem pensa que os pratos ficam no trivial carne-seca com cebola está totalmente enganado. Nada menos que 400 receitas foram criadas pelos participantes nos últimos 10 anos e pouca coisa pode ser comida com palito entre a turma botequeira. No ano passado, 41 bares foram selecionados. Durante um mês ganham exposição na mídia e uma visitação que, em 2008, chegou a 500 mil frequentadores (40 mil apenas na saideira). Neste ano, o Festival Comida di Buteco começou na última sexta-feira, dia 17. [FOTO2] Segundo um dos idealizadores do projeto, Eduardo Maya, o faturamento dos bares participantes apontou um crescimento que chega a 50%. “Desde a primeira edição tivemos uma preocupação com o que o festival viria a se tornar, tanto que não aceitamos que os petiscos fossem repetidos de um ano para outro”, disse ele. Até 17 de maio, será quase impossível ao visitante que estiver em BH não ouvir falar do Comida di Buteco. Entre os desafios da empresa que promove o evento estão a estreia em outras capitais brasileiras, principalmente São Paulo.

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