Ele trabalha na escolha do couro para a fabricação de sapatos, botas, roupas, bolsas e carteiras. Sabe identificar qual a sua procedência, atenta para a qualidade do produto, confere a resistência e a espessura. Couro com defeito precisa ser corrigido, caso contrário a utilização de uma matéria-prima com falhas pode comprometer toda uma produção. Em começo de carreira um classificador de couro - é como esse profissional é chamado - chega a ganhar R$ 800. Já com experiência o salário médio sobe para cerca de R$ 3 mil. Talvez seja essa a razão que faz da profissão uma das mais procuradas dentro da área calçadista.
Quando formado, o profissional pode atuar em curtumes ou diretamente em fábricas de calçados. Nas indústrias com produção a partir de 500 pares/dia ter um classificador no quadro de funcionários é tido como indispensável. Em alguns casos esse profissional também presta serviços em diferentes empresas como free-lancer. Neste nível os rendimentos podem alcançar valores aina maiores ou em torno de R$ 5 mil.
Em Franca, o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) é a única instituição do Estado a ter um curso específico para a formação de classificadores. A outra fica no Rio Grande do Sul. O curso tem duração de dois meses (40 horas) com duas aulas semanais (segunda e quarta ou terça e quinta). Por ano é formada na escola uma média de 40 profissionais. Também há uma turma aos sábados. O interesse é tanto que empresas buscam na própria escola os melhores alunos. Ou seja, o interessado pode sair do desemprego a uma colocação estável em pouco mais de 60 dias. Ideal em tempos de crise.
<b>MERCADO ABERTO</b>
Esta realidade foi revelada pelo técnico em couro e professor da casa Paulo Roberto Andrade. Ele diz que profissionais formados na área são raros a ponto de o Senai receber ligações frequentes de empresas com pedidos de indicação de classificadores. "Os alunos formados aqui são constantemente assediados por empresas da área instaladas em outras cidades. Atualmente estou preparando dois rapazes para trabalhar num curtume que está abrindo em Ipatinga, no Estado de Minas Gerais", disse.
O motivo para tamanho assédio ao profissional está ligado à importância de um bom couro na produção do calçado. "O couro chega a representar até 33% do custo final de um sapato masculino, daí a necessidade de ter um conhecimento aprimorado do nobre material", disse Andrade.
Para o ex-cortador e atualmente aluno do curso Ricardo Contini, 28, a profissão de classificador de couro dá a oportunidade de crescer na área e alcançar ganhos descritos como excelentes. "Sempre gostei de trabalhar com o produto e com o curso aprendo todo o processo. Desde o descanso que o animal precisa ter para oferecer um bom couro até as técnicas de abate", explicou o aluno.
Entre os futuros profissionais da área estão trabalhadores do setor de compras de couro, almoxarifes, encarregados de corte da área de calçados e também alguns fabricantes. O certo é que o mercado é vasto para quem deseja trilhar este caminho.
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