Em meio a todo o imbróglio envolvendo o poder público e os donos de bolotas, uma imagem publicada neste Comércio não me sai da memória. Não lembro a data, mas foi feita em dia de sessão na Câmara, quando boloteiros e seus familiares lá estavam. O hábil fotógrafo deste jornal flagrou uma placa ostentada em protesto. Não saberia reproduzir exatamente o texto, mas, na hora, me chamou a atenção não apenas por causa de um erro de concordância mas também, pelo apelo. Era, mais ou menos, assim: “Sr. Prefeito, quando o senhor chutou os `cone`, disse que era o senhor que mandava na cidade. Porque agora não manda?”. Achei brilhante e extremamente oportuno o puxão-de-orelha ao prefeito Sidnei Franco da Rocha. Eu me incomodo com o problema dos bolotas desde o início, principalmente pelo fato do nosso ilustríssimo prefeito – cuja fama sempre foi de autoritário – ter agido como coitadinho que não passava de vítima de seu algoz, o promotor que o mandou cumprir sua determinação. Agora, mudei um pouco esse conceito. Não o avalio mais como “coitadinho”, mas como nosso Pilatos, que lavou as mãos enquanto eram desmontados os meios de sustento de inúmeras famílias francanas. Enquanto uma tradição de nossa cidade foi reduzida a pó por culpa da intransigência do promotor, nosso Poder Executivo (o Legislativo de carona) assistiu de camarote. Ninguém foi capaz de abrir um canal de diálogo para que se encontrasse uma solução que regulamentasse a atividade dos comerciantes que durante décadas ofereceram mais do que lanches, mas também um ambiente saudável do ponto de vista da confraternização das famílias francanas. Nossa cidade está empobrecendo, meus caros. Financeira, cultural e politicamente, nossa Franca está miserável.
Ronaldo Pereira da Silva
Franca - SP
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.