Nada entendo de bolotas, seja como consumidor ou operador dos mesmos, no entanto, pelo grau da polêmica que tem criado, me sinto na obrigação de fazer coro com alguns contrariando outros tantos. Não sou candidato a nada e nem pretendo ser, bastando-me uma vaga nos fornos do crematório da Vila Alpina, o que não depende de voto. Minha decisão dá-me liberdade para, sem prejuízo, entrar na briga em defesa da disciplina. Muitos dizem ser contra a ação do promotor Fernando de Andrade Martins. Contra-argumento que neste País alguém precisa fazer cumprir a lei, estabelecer a disciplina tão sonegada às novas gerações.
Há um vereador eleito pelo bloco que grita por sua ação na Câmara, e este, por sua vez, cobra apoio a candidatos importantes que avalizou durante a campanha. A roda gira e nada muda. Como diz Sarney: o sucesso na política depende de boa conversa. Eu completo: na política, nada prospera sem troca, tudo tem preço.
A ação do promotor Martins é legítima e protege a sociedade, preservando para quem de direito, os espaços públicos. Peço vênia aos envolvidos, para tratá-los com a dignidade que merecem: empresários, comerciantes por legitimidade, operadores do mercado de alimentos e sujeitos à disciplina da legislação em vigor, no campo da higiene e saúde pública submetendo-se a fiscalizações normais.
Jamais serei contra degustar um saboroso sanduíche ao ar livre, cercado de boa prosa, com criatividade e sabor irreparável ao lado do sorver gelada cerveja. Sem esbarros dos passantes cansados, transpirados em cadeiras de rodas, fustigados pelas agruras do trabalho, estaríamos mais felizes: eles e eu.
Senhores empresários, juntem-se a minha idéia de sanear a cidade.
Aluguem quem sabe, pelo valor do IPTU, aquele terreno que o especulador guarda para valorização, multiplicador de ratos e baratas. Façam nele um solo cimento barato, construam modesta edícula com aparelhamentos necessários ao conforto de seus consumidores. Convoquem o poder municipal a pressionar proprietários de terrenos instrumentando pequenos financiamentos a baixo custo. Com vontade e esforço conjunto, iremos ajudar cidade e pessoas.
Dr. Martins, sua tarefa não se extingue no primeiro impacto encetado, especialmente agora, quando o executivo maior do município – Sidnei Rocha – acena com uma cidade limpa e mais bonita, implantada por Kassab em São Paulo em ação boa de ser copiada. E devemos começar pela extinção do presente dado à cidade por Cassiano Pimentel, em decreto como Prefeito em exercício do governo PT: legalização das barracas inconvenientes, feias, inadequadas em praças centrais da cidade.
Uma visita ao monumento instituído pelo Lions no ano 2000, em homenagem à história da medicina francana, atesta o lixo em que foi transformada a praça do Hotel Francano em frente à Santa Casa, de tantas glórias. O estado de calamidade daquele bem comprova o alheamento e inoperância do clube de serviços que o instituiu, atrelado ao poder municipal que o ignora.
Dr. Martins, o poder público dispõe de um patrimônio que muito já custou ao povo, sem uso, sem nada que justifique sua existência: o Pavilhão da Francal. Lá se poderia acolher os empresários e suas barracas cafonas para poupar-nos do atravancamento público e da vergonha de tê-los permitido e legalizado. Siga em frente, promotor.
Garcia Netto
Jornalista
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