Preço do ingresso, facilidade de baixar filmes pela internet, acesso rápido aos DVDs, redução de cópias de lançamentos, poucas promoções, obrigatoriedade na exibição de filmes nacionais ou até falta de interesse. O que tem feito os brasileiros irem menos ao cinema? Segundo dados da Ancine (Agência Nacional de Cinema) e do portal "Filme B", em 2008, o público dos cinemas caiu mais de 30% em relação ao mesmo período de 2007. De janeiro a junho, os títulos nacionais registraram a venda de 3,5 milhões de ingressos, número que, em 2007, representava mais de 5 milhões.
Em Franca, a queda foi superior a 40% em quatro anos. As três salas de cinema localizadas no Franca Shopping, com capacidade para 900 pessoas, vêm registrando queda de público desde 2004.
Naquele ano 225 mil pessoas frequentaram as telonas. Nos anos seguintes a queda foi constante. Em 2005, o público foi de 181 mil. Em 2006 baixou para 163 mil pessoas, 2007 caiu para 160 mil e, no ano passado, apenas 133 mil pessoas foram ao cinema em Franca.
Para Gustavo Ballarin, assessor de marketing e operações do Moviecom, a queda de público pode ser justificada por vários fatores. "A diminuição da `janela de vídeo` - tempo que os filmes levam para chegar às locadoras - é um dos fatores", disse. Hoje, o tempo para locação dos filmes é de seis a nove meses depois de sua estreia. Antes a espera passava de um ano e meio. Outro fator apontado é a exigência da Ancine na reserva de parte de suas salas para exibições de filmes brasileiros. "Muitos optam por passar sucessos internacionais e com as salas ocupadas pelos nacionais, sobra menos espaço para os lançamentos".
A pirataria tem sido um dos principais agravantes da queda de público nas telonas. Na maioria das vezes os filmes nem estão em cartaz e os camelôs já vendem o DVD nas famosas "barraquinhas". "Com a internet, hoje é muito fácil baixar os filmes não lançados", explicou Ballarin.
Para conseguir competir com todos esses elementos que pesam contra, os cinemas parecem ter poucas saídas. Do público presente nas bilheterias, 50% estão concentrados no período de férias escolares. Janeiro, junho, julho e dezembro são os meses mais procurados pelo público. A solução é melhorar o trabalho e o relacionamento com os clientes no restante do ano. A ideia é oferecer conforto, serviço de primeira e promoções. "Para atrair mais público temos o cartão-fidelidade, em que o cliente paga em média 30% mais barato o preço do ingresso. Temos que nos adaptar às tendências do mercado, oferecendo serviços e produtos que o público busca", disse.
A maior aposta fica mesmo na paixão dos cinéfilos que não abrem mão da tela grande. Jovens como o casal de namorados Anita Botelho, 22, e José Francisco Domenegueti, 22, que sempre reservam alguns fins de semana para ir até o cinema podem ser a solução. "Uma de nossas formas preferidas de lazer é apreciar um bom filme. Nada como poder usufruir do ambiente do cinema e curtir os lançamentos em primeira mão", disse José.
<b>EXCEÇÕES</b>
A melhoria na qualidade do cinema nacional vem na contramão da queda de público. Neste ano, o filme Se Eu Fosse Você 2 superou as expectativas das bilheterias e teve recorde de público. Só no primeiro fim de semana de estreia em janeiro, 570 mil pessoas foram aos cinemas de todo o País para ver a história do filme. Em Franca, o longa-metragem foi visto por 11 mil pessoas. Nos 37 dias que ficou em cartaz, o filme arrecadou R$ 39,2 milhões e foi visto por 4,7 milhões de espectadores. Estes números lhe renderam o título de maior bilheteria do cinema brasileiro desde a retomada da produção nacional, em 1995.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.