Os comerciantes informais da Avenida Abrahão Brickmann, no Complexo do Parque Vicente Leporace, estão com medo de a CDHU (Companhia do Desenvolvimento Habitacional e Urbano) determinar que eles desocupem e coloquem abaixo os mais de 200 cômodos construídos ao longo da avenida. Originalmente, os espaços deveriam ter sido ocupados por garagens, mas, com o passar dos anos, viraram um verdadeiro “shopping” a céu aberto montado pelos moradores dos conjuntos habitacionais construídos pela CDHU - os “predinhos do Leporace”.
O medo é antigo e boatos sobre a possibilidade de desocupação são constantes. Mas o temor aumentou nos últimos dias, com o impedimento de os boloteiros que mantinham seus trailers em áreas públicas de trabalhar. Em que pese as garagens estarem em áreas privadas, o gestor dos espaços é a CDHU, empresa ligada ao governo do Estado de São Paulo. E como a maioria dos imóveis ainda não é quitada, a palavra final em relação a qualquer modificação no projeto original das moradias depende do aval da companhia.
A CDHU - não só em Franca, mas em todo o Estado - não reconhece as garagens que se transformam em estabelecimentos comerciais. A Prefeitura de Franca também não. Tanto que os comerciantes não possuem alvará de funcionamento e abrem as portas, diariamente, com receio da fiscalização e de multas.
A reportagem conversou com mais de dez comerciantes informais do Leporace na última quinta-feira. Todos, sem exceção, disseram que não se sentem seguros e que os rumores de que todos serão retirados são constantes. “É complicado, dá medo. Mas não temos o que fazer, pois daqui tiramos nosso sustento. Meu medo é que aconteça um efeito cascata com a saída dos bolotas e que forcem a gente a sair”, disse Antônio da Silva Prese, 46, que vende milho e pamonha em uma das garagens.
Também preocupada está Maria Regina Melauro, 56. Até há pouco tempo, ela trabalhava como empregada doméstica. Juntou economias e abriu uma loja de roupas em uma garagem. Maria Regina disse que não tem mais condições de saúde para ser doméstica e que fica desesperada com a possibilidade de perder seu ponto. “Eu não sei o que vou fazer da vida se fizerem isso com a gente. Será que já não basta tirar os boloteiros? Não estamos roubando ninguém”, afirmou a mulher.
Seu desespero é compartilhado por Cecília Faciroli, 29, que também tem uma lojinha de roupas. Cecília afirmou que o fato de os bolotas terem sido retirados a preocupa. “Se eles que eram uma tradição da cidade foram expulsos, imagine como nos sentimos. Eu e todos os outros comerciantes da avenida estamos com muito medo sim”, disse Cecília.
Na quinta-feira e no sábado, a CDHU foi procurada para dizer quais as pretensões para com os “garageiros”, mas o ge-rente regional, Evaldo Jardim, não foi localizado.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.