Quem for ao dicionário vai encontrar como definição para o substantivo epitáfio: inscrição que se escreve na lápide do túmulo. Assim, o homem no seu imenso sentimento de vaidade, procura, num gesto derradeiro, imortalizar-se por anotações sábias e/ou curiosas.
Quando não se trata do próprio que manda, antecipadamente, anotar sua preferência, são os familiares que providenciam os termos que desejam colocar. É instrutivo o epitáfio de famoso industrial que mandou anotar: “Volto já em edição melhorada”. Alguns anotam: “Saudades da família”. “Amor Eterno.” “Para sempre em nossa lembrança.” São termos que demonstram o afeto dos familiares.
Com Jesus, no entanto, aconteceu o epitáfio de maior significado, de maior importância. Isto porque, como nos dizem os Evangelhos, o Mestre foi sepultado na rocha, tendo a entrada do túmulo lacrada pelos sumos sacerdotes, com uma pedra. O túmulo pertencia a José de Arimatéia. Conforme se lê em Mateus, cap. XXVIII - vv.1 a 15, quando Maria Madalena foi ao sepulcro para orar, houve um tremor de terra, um estrondo, a pedra que lacrava o túmulo se fendeu de alto a baixo e um anjo apareceu, dizendo: “Não está mais aqui, ressuscitou!”. Sem dúvida, este é o mais belo, o mais divino epitáfio que se pode encontrar.
Primeiro porque é a confirmação das palavras do Mestre: “Destruam este templo e Eu o reconstruirei em três dias” (João, Cap. 2, v. 19). Esta ressurreição confirma o Messianato de Jesus. Depois, porque a ressurreição torna Jesus o único enviado de Deus à humanidade, para salvá-la com suas palavras e ensinamentos, com os seus exemplos e vivências. Os demais missionários ficaram presos ao túmulo. Jesus, entretanto, venceu a morte. Aliás, com havia dito: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. “Vim para que tivésseis Vida. Vida em plenitude. Vida em Abundância.”
Também a ressurreição de Jesus vem nos mostrar e provar a imortalidade. O túmulo não é uma porta que se fecha. É uma porta que se abre para a verdadeira vida, a Vida Espiritual de onde viemos e para onde retornaremos, já que somos seres espirituais.
Este o verdadeiro significado da Páscoa, segundo a entende o Espiritismo. É o símbolo da vida verdadeira, da vida estuante, da vida imorredoura. O coelho é apenas um símbolo, que foi tomado em tradição dos povos eslavos que decoravam o ovo nesta época, para ofertar como lembrança da vida, posto que o começo da vida se faz pelo ovo. Este o grande significado da Páscoa: a vida sempre, vida em plenitude e abundância. Vida com dignidade e com responsabilidade. Vida a se multiplicar em favor do semelhante. Vida produzindo para o bem-estar de todos.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)
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