O prefeito de Orlândia, Rodolfo Meireles (PTB), demitiu a vice-prefeita Flávia Mendes Gomes (PTB) que ocupava o cargo de coordenadora de Desenvolvimento Social da cidade. O motivo alegado em nota enviada à imprensa seria perda de confiança. A exoneração aconteceu na segunda-feira, às 17 horas, por telefone. A secretária da vice-prefeita também foi exonerada.
O caso repercutiu em toda a cidade de pouco mais de 36 mil habitantes e dividiu opiniões. Na Prefeitura, o fato provocou uma debandada de secretários que deixaram o cargo em solidariedade à vice-prefeita. Entre eles, o secretário de Saúde, Sérgio Gomes, marido de Flávia. O secretário de Obras e uma coordenadora de um projeto social também pediram exoneração. A lista pode aumentar.
O secretário de Meio Ambiente, que faz parte do mesmo grupo da vice-prefeita, pode ser o próximo. “Ele não pediu demissão, mas estamos aguardando uma posição do prefeito”, disse Flávia.
Procurado, o prefeito - que está no cargo pela primeira vez - não quis falar sobre o assunto apenas enviou uma nota oficial. No documento ele diz que “a nomeação de cargos de confiança é uma atribuição exclusiva do prefeito que assume a responsabilidade integral pela gestão da cidade. Pessoas devem ser afastadas dos cargos para o qual foram nomeadas se demonstrarem que não merecem mais a confiança necessária para desempenhar a função”.
Outra justificativa apresentada pelo prefeito é de que Flávia teria ido às emissoras de rádio e jornais do município para divulgar informações antecipadas de ações que ainda estavam sendo definidas pela administração. Tal comportamento teria irritado o prefeito.
Para a vice-prefeita, o problema começou no dia 18 de fevereiro quando fez uma viagem oficial a São Paulo, sem conhecimento do prefeito, para tratar de assuntos da coordenadoria. Na ocasião, foi atendida em diversas secretarias e na Assembleia Legislativa. A partir daí, a relação ficou estremecida.
Flávia, que é psicóloga e advogada, disse ainda que há 15 dias tenta falar com Meireles e não consegue. “Tenho dificuldade para falar com ele, que nunca está disponível. No dia 11 de março, fiquei mais de três horas no corredor da Prefeitura na tentativa de conversar”.
Para ela, o comportamento do prefeito não provoca mágoas, mas sim decepção. “Trabalhamos juntos, unindo forças por um mesmo ideal, éramos um grupo em prol de Orlândia”, disse. Mesmo sem atribuições definidas, a vice-prefeita diz que se manterá no cargo e está aberta para atender a população. “Acima de tudo trabalho pelo interesse público”.
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