Faltou emoção. Assim os jurados paulistas definiram os trabalhos inscritos para o 25º Salão de Abril de Belas Artes de Franca, que reúne 43 obras de 38 artistas de 13 cidades de vários Estados do País. Apesar do olhar técnico dos profissionais, a exposição - que será inaugurada na próxima segunda-feira, dia 13, às 20 horas, na Pinacoteca Municipal “Miguel Ângelo Pucci” - encanta os olhos leigos pelos diversos estilos, cores e formas. Dois francanos ficaram entre os sete premiados.
O coordenador da Pinacoteca, Wagner Voss, explica que a organização recebeu inscrições de 226 obras, de 79 artistas. Na primeira seleção restaram 43 quadros de óleo sobre tela, aquarelas e desenhos. Na tarde de quarta-feira, os jurados Graça de Jesus, Cláudio Canato e Luís Castañón avaliaram todos os trabalhos e elegeram os sete melhores para receber a premiação.
O destaque, chamado de prêmio de aquisição (a obra fica no acervo da Pinacoteca), foi a pintura Estação de Trem Valongo de Santos, do artista Ademar Costa Simões, de Ubatuba (SP). Além do troféu Cidade da Franca, ele recebe R$ 1,5 mil.
O artista francano Daniel Gonçalves, destaque no salão do ano passado, conseguiu medalha de prata (R$ 275) com a obra Um Olhar na Saudade enquanto Gilda Maria Chagas ganhou bronze (R$ 200) com Paisagem I. O veterano Walter Bortolato é o convidado de honra deste Salão.
<b>‘CULTURA NÃO É ENTRETENIMENTO’</b>
Logo após a definição dos premiados, num bate-papo descontraído saboreando salgadinhos e suco, os jurados discutiram arte e cultura. Luís Castañón, professor de pintura em aquarela, autor de artigos sobre arte e membro de júri em eventos oficiais, lamentou o número de inscrições do Salão de Belas Artes de Franca. Cláudio Canato, que atuou como diretor de arte no segmento de moda e foi membro do Conselho das Oficinas Culturais do Estado de São Paulo, pontuou que a falta de inovação dos artistas está presente em todos os salões. "O que a gente sente é a falta de proposta. O artista tem a técnica, mas não inova.
Repete pinturas já vistas. Cadê a intenção? Os quadros aparecem revestidos de velharias", disse indignado. "Falta ousadia", completou Graça de Jesus, coordenadora dos Salões de Artes da Secretaria de Estado da Cultura.
Outro ponto discutido pelos jurados foi a qualidade dos trabalhos encontrados nos salões. "As pessoas não querem mais desenhar. Então como desenvolver as técnicas de luz, sombra...? É nítido quando o artista não sabe desenhar e quase sempre falta orientação estética", ressaltaram.
Por isso, para julgarem os quadros inscritos no Salão de Franca, eles não utilizaram critérios. "O vencedor não é inovador, mas o trabalho acadêmico é bem feito. A intenção está clara", avaliaram. "Mas não vamos embora emocionados."
Questionados pela reportagem sobre a estrutura atual da Pinacoteca, Castañón foi enfático ao afirmar que ela não foge à regra das pinacotecas das cidades do interior, mas pequenas mudanças podem melhorar o ambiente. "A sala é pequena, falta iluminação adequada e os painéis poderiam ser trocados porque os atuais (com furos) interferem na leitura da obra, que precisa ter uma distância para ser apreciada."
Os jurados pontuaram também que as pinacotecas, em geral, precisam atrair pessoas com interesse para discutir as obras. "Cultura não é entretenimento. É preciso formar público e isso começa na escola, levando os alunos para conhecer as exposições", disse Graça. "Integração com cidades vizinhas também é uma solução, já que Batatais e Brodowski guardam um acervo rico de Cândido Portinari", recordou Castañón.
<b>SERVIÇOS</b>
A Pinacoteca fica na Rua Campos Salles, 2210, Centro. A exposição está aberta para visitação até o dia 30 de abril, de segunda a sexta-feira, das 8 às 20 horas e aos sábados, das 9 às 13 horas.
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