‘Comércio` marca presença no show do Kiss


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O que pessoas com mais de 25 anos, cheias de ocupações e responsabilidades, estariam fazendo paradas na Avenida Presidente Vargas em plena manhã de terça-feira? A verdade é que todo mundo ali deu um jeito de pegar folga do trabalho para prestigiar o evento que vai marcar as suas vidas. Pouco mais de dez da manhã e cerca de 20 pessoas estão prontas para ir a São Paulo, rumo ao esperado show do Kiss, depois de dez anos desde a última apresentação no Brasil pela turnê Psycho Circle. Com o microônibus da Hello Tour estão desde os mais antigos até os mais novos admiradores da banda norte-americana, trajados em suas camisetas pretas e com as músicas na ponta da língua. É professor, design gráfico, publicitário, advogado, músico, todos juntos, por uma mesma inspiração. Ver de perto Paul Stanley, Gene Simmons e companhia. Durante o trajeto, a sonzeira está pesada com Iron Maiden, Twisted Sister e, claro, Kiss, rolando no DVD. Após seis horas de viagem, o grupo e mais centenas de francanos se unem a milhares na fila que atravessa quadras e quadras fora do Anhembi, às cinco da tarde. Ótimo para os vendedores de faixas, bandeiras e camisetas - artigos que custavam em torno de R$ 25. O comerciante paulistano Marcelo Silva, 23, tinha a expectativa de vender até o fim do dia cerca de 180 camisetas. "Não curto muito rock‘n roll, mas costumo faturar por volta de R$ 800 por apresentação. Por aqui deve ter mais de 200 vendedores", disse. Ainda durante os preparativos para o mega show houve gente que conseguiu uma grana pintando os rostos de quem queria estar como os ídolos. Por R$ 10 ou R$ 20 era possível ficar com a face idêntica a de Tommy Thayer, o guitarrista do Kiss. Em clima de espera estão os estudantes universitários Paulo Eduardo, 22, e Thaís Guetta, 23, ambos de Uberlândia (MG). Nunca viram os "caras pálidas" de perto. Por conta disso, planejaram meses antes da viagem. "Conheci o rock através do Kiss há 13 anos. Desde então curto muito as músicas do grupo. Quando eles vieram para a turnê Psycho Circle, em 1999, não pude ir. Estar aqui é a realização de um sonho antigo", relata. <b>A apresentação</b> Duas horas depois do espetáculo em São Paulo, dá para concluir que o Kiss foi além do esperado e se aproximou daquilo que pode ser chamado de um verdadeiro show de rock`n roll. Comemorando 35 anos de carreira, está mais vivo do que nunca o grupo surgido na época do glam rock -quando os músicos vestiam-se e maquiavam-se como mulheres. A vivacidade pode ser percebida tanto na qualidade dos vocais e no desempenho de cada músico, quanto na dinâmica estabelecida entre efeitos visuais e sonoros. Destaque para as labaredas de fogo que surgiam atrás do palco tomado por aproximadamente 50 alto-falantes, bem como ao intenso uso de fogos de artifício. "Valeu cada centavo gasto e cada problema enfrentado para estar aqui", gritou um fã para o amigo ao lado ainda durante a apresentação. E realmente o preço do ingresso estava salgado: R$ 200 para a pista e R$ 450 para estar na área VIP. Conforme o anunciado, o Kiss não tocou o famoso love song Forever, mas nem precisava. Stanley e companhia estavam inspirados e souberam transmitir, às mais de 35 mil pessoas presentes na lotada Arena Anhembi, que realmente gostavam de estar ali. Não foi uma, duas ou três vezes que disseram "We love you"; foram várias. A declaração foi respondida à altura: "We love Kiss! We love Kiss!", gritava a multidão o tempo todo, golpeando o ar com os punhos. Ainda na abertura do show, antes do "Boa Noite" oficial com Deuce e a sequência de músicas, em sua maioria do álbum Alive, as notas graves de Gene Simmons (vocal e contrabaixo) faziam tremer o chão da arena e as pernas. Eram 21h40. Tanta emoção que justifica o fato de tantos dispensarem a bebida alcoólica, cujos preços estavam bem acima dos padrões francanos. "Quando estava para começar o show, o volume era tão alto que a sensação que me dava era de um terremoto em ação, nunca tinha sentido aquilo antes. Quando a cortina caiu e os primeiros acordes de Deuce surgiram, eu sabia que era tudo real e que eu teria mais uma história para contar para os meus futuros netos", relatou o consultor técnico Gianluca Golineli, 30, que viu tudo da área VIP. Os olhos de cada um estão vidrados e é extremamente difícil, para não dizer impossível, arriscar locomover-se. Quem chegou, chegou e faz questão de marcar seu lugar para não perder nenhum detalhe. Detalhes como a pirofagia de Simmons durante Got to Choose ou então cuspindo sangue falso e elevar-se ao teto do palco, em I Love it Loud. Paul Stanley (vocal e guitarra) estava engraçado. Chegou a ensaiar o começo de Stairway to Heaven, de Led Zepellin. E pegou a galera desprevenida, que começou a cantar com ele. Parou de repente e disse: "Not tonight", como sempre costuma fazer quando não está tão afim de tocar uma determinada canção. Os fãs esperaram e foram atendidos. Ao fim do show, Stanley se deslocou de um palco a outro pelos fios de aço para executar Love Gun, com direito a um "OK" cordial à multidão que assistia o show pelos telões. O guitarrista Tommy Thayer, que já impressiona pela semelhança com o ex-integrante Mark St. John, faz um show a parte. A cada riff e sequência de notas improvisadas, a galera interage com vocalizações espontâneas e quando menos se espera, uma sequência de fogos de artifício explode da ponta da guitarra. "Deram o máximo de si e mostraram de uma vez por todas como um show de rock’n roll deve ser feito. Emocionante", disse o publicitário francano Marcelo Siqueira, 24. <b>Veja as fotos do show</b>: <embed type="application/x-shockwave-flash" src="http://picasaweb.google.com.br/s/c/bin/slideshow.swf" width="400" height="267" flashvars="host=picasaweb.google.com.br&RGB=0x000000&feed=http%3A%2F%2Fpicasaweb.google.com.br%2Fdata%2Ffeed%2Fapi%2Fuser%2Fblogsgcn%2Falbumid%2F5324226634927392177%3Fkind%3Dphoto%26alt%3Drss" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer"></embed> <i>Reportagem viajou a São Paulo à convite da Hello Tour.</i>

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