Era uma vez uma cidade que se chamava Franca. Franca era composta por três colinas. Era também chamada de Terra das Três Colinas. Uma colina se chamava "pode", outra se chamava "não pode" e a terceira se chamava "não sei se pode". A "pode", tudo podia. A "não pode", nada podia. A "não sei se pode" de nada sabia, nem se podia nem se não podia. Tentavam se unir pois sabiam que se unissem, ainda que individualmente cada qual perdesse um pouco, no geral, sairiam todas ganhando. A "pode" nem tudo mais poderia; a "não pode", algo poderia; a "não sei se pode", algo saberia. No entanto, por mais que se esforçassem, por mais que se dessem as mãos na tentativa de se unirem, as pobres das Três Colinas nada conseguiam pois entre elas, haviam dois vales. Um vale se chamava "ignorância". O outro, "oportunista". Quando a "pode" queria se unir à "não pode", "oportunista" não deixava. Quando "pode" queria se unir à "não sei se pode"; "ignorância" não permitia. Quando "não pode" queria se unir à "não sei se pode", a própria "pode" aliando-se a "ignorância" e "oportunista", se encarregava de ser o obstáculo. Um belo dia, projetaram um viaduto que finalmente uniria as Três Colinas. A esse viaduto foi dado o nome de "sensatez". O problema é que "sensatez" nunca saiu do papel. De um papel como este, no qual se escreve, se escreve, se escreve...
Éder Silveira Brazão
Franca - SP
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