O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Calçados no Município de Franca, Fábio Cândido da Silva - que obteve na Justiça autorização para disputar a liderança dos sapateiros da cidade com Paulo Afonso Ribeiro - garante que não vai interferir na negociação salarial que está em andamento.
A negativa em participar da discussão seria, segundo o sindicalista, para evitar que o processo se complique ainda mais já que ele não teria acompanhado a negociação desde o início. Em que pese querer manter distância, Cândido critica a atuação do atual sindicato. “Paulo Afonso foi esticando essa campanha salarial até que a corda arrebentou. (...) Levou uma derrota histórica”.
Se quanto à negociação Fábio Cândido se posiciona claramente, no que diz respeito à contribuição sindical - perto de R$ 400 mil descontados dos trabalhadores que devem ser repassados ao sindicato até o próximo dia 30 - o discurso do sindicalista mostra contradições.
Em edital publicado nos Classificados do Comércio em 31 de março e em documento protocolado no Sindifranca (Sindicato das Indústrias Calçadistas de Franca) há cerca de duas semanas, Fábio Cândido pede que o valor seja revertido para a entidade que comanda. Ontem, no entanto, ele disse à reportagem que espera que a contribuição seja depositada em juízo para que a Justiça decida para quem deve ir ou que seja utilizada pelo sindicato liderado por Paulo Afonso Ribeiro em benefício da categoria. “A contribuição não me interessa neste momento. Ele que receba. Mas, ele que pegue e termine essa campanha salarial. Não joga o abacaxi na minha mão. Não joga os fracassos dele para eu tentar resolver (sic)”, disse.
<b>PRÓXIMO PASSO</b>
Antes porém de poder interferir em qualquer das duas situações, a entidade precisa obter junto ao Ministério do Trabalho sua carta sindical. Segundo o advogado do sindicato, Luís Carlos Timóteo, o processo para obtenção dos documentos teria sido feito em 1994. A emissão, no entanto, foi suspensa no ano seguinte por uma medida cautelar impetrada na 3ª Vara Cível de Franca. “Na época o juiz oficiou o Ministério do Trabalho e suspendeu o processo. Agora vamos solicitar ao juiz da mesma Vara que desbloqueie a emissão da carta para que o MT volte a fornecê-la”, explicou o advogado.
Apesar de ainda não ter capacidade legal para representar os sapateiros, Fábio Cândido garante que mantém uma estrutura física e política suficiente para dar assistência adequada aos trabalhadores.
Atualmente o sindicato funciona em um sobrado na Rua General Carneiro, no Bairro da Estação, e conta com seis pessoas em seu quadro de funcionários, entre elas dois advogados, uma secretária e o próprio presidente. A entidade possui ainda dois computadores e uma linha telefônica.
Além da estrutura física, o sindicalista afirma contar com o apoio de outras forças políticas na área sindical. “Temos a Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário no Estado de São Paulo e logo terei apoio de centrais sindicais. (...) Neste momento estamos conversando com a CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil) que colocaria toda estrutura que eles têm montada à disposição da gente”, disse.
Quanto aos planos para o futuro, Fábio Cândido é sucinto. “O que eu quero é voltar para o sindicato, estabelecer uma relação com a categoria, reorganizá-la e tentar um diálogo com os patrões”, resumiu.
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