O que pode haver de comum entre o poeta e o hipocondríaco? Aparentemente, nada. Um trabalha as palavras em busca da melhor forma. O outro vive de cultivar suas fantasias mórbidas, imaginando-se alvo das mais raras doenças. Qualquer uma lhe serve.
Pode ser dor nos rins, uma súbita falta de ar, um aperto no estômago, umas picadas no tórax ou até uma tontura ao levantar. Não existe homem ou mulher que, pelo menos algumas vezes na vida, não se viu tomado por temores infundados acerca da própria saúde. Mas há gente que exagera e é aí que está o problema. Confunde dor de cabeça com tumor cerebral e apavora-se com uma tosse que não passa: nesse caso, a maioria pensa se tratar de tuberculose, ou então, câncer de pulmão.
Tenho certeza que você conhece algum hipocondríaco. Eles estão por toda parte, sempre à procura de tratamentos milagrosos, buscando novidades ou modismos terapêuticos. Mostram grande interesse por publicações médicas, são vorazes leitores de bulas e exercitam ao máximo a automedicação. O hipocondríaco assumido carrega sempre uma dorzinha de lado. Quando chega do trabalho, em vez de preparar uma bebida, abre a porta do armário do banheiro onde armazena remédios e pensa: o que é que eu vou tomar hoje? Fica doente de raiva quando alguém diz que ele está bem. Acredite! Experimente erguer uma taça e fazer um brinde desejando-lhe saúde pra ver o que acontece.
Tenho um tio e uma prima campeões na arte de sentir sintomas de doenças, mesmo quando estão gozando de saúde perfeita. Esse meu tio, o `Nenê`, quando passa na porta de uma farmácia não resiste e pergunta: `o que tem de novidade?`. E a festa que faz quando anuncia o lançamento de medicamentos novos? Dá a impressão que está comemorando uma promoção no trabalho, ou um gol da Francana.
Certo dia fui visitar esse meu tio e o surpreendi engolindo generosas colheradas de pasta de dente. Nem se importou com minha expressão de espanto e logo justificou: `faço isso para limpar o corpo por dentro`. Logo depois, percebendo que eu ainda estava assustado, puxou conversa para descontrair. Disse que não entende como pode uma pessoa se aposentar e ir morar numa fazenda distante. Correto, segundo ele, é construir uma chácara ao lado de um grande hospital, no meio da cidade. `Nunca se sabe`, afirmou.
Já minha prima, que também tem mania de doença, vive de médico em médico, faz muitos exames e, quando recebe o diagnóstico de que está tudo bem, fica tranquila só no momento. Dias depois está de volta ao consultório. Vive com a bolsa cheia de vidrinhos e envelopes, toma todo tipo de remédio que julga lhe fazer bem e se constitui na felicidade das farmácias. Está sempre entrando ou saindo de uma gripe. Vacina já tomou todas, coitada. Sofre da coluna, tem enxaquecas constantes, padece de insônia e simula crises de asma em pleno horário do almoço para mostrar que não está bem. Só consegue é atrapalhar a refeição dos familiares.
Sempre que essa prima faz aniversário vou cumprimentá-la e levo de presente um vidro de remédios. Não imaginam como fica feliz.
Uma vez perguntei a ela: `vai bem?`. Quase me matou. Então aprendi. Agora apenas pergunto: `Melhorou?`. Deixo um conselho para quem tem parentes ou amigos hipocondríacos. Sempre que encontrar um deles nunca deseje `bom-dia`; apenas pergunte: `Levantou-se melhor?`.
THOMAZ TARDIVO MALHA O JUDAS
Cada vez mais restrita, a tradição de malhar o Judas continua sendo seguida em Franca, graças aos esforços do amigo Thomaz Tardivo, que há 54 anos realiza a queima do traidor de Cristo. Thomaz começou a malhação de Judas no ano de 1956, no antigo bar São João e depois no Bar Minerva, na Estação. Em 1981 transferiu o evento para o Clube dos Bagres, onde continua até hoje. Thomaz Tardivo, de forma satírica, ironiza este ano o ex-presidente norte-americano George Bush. No testamento a ser lido ao meio-dia desse Sábado de Aleluia, 26 pessoas serão homenageadas com os bens deixados pelo Judas, que vão desde uma bolsa, até fazenda, apartamento, brinco e um palácio, destinado a esse colunista. Os companheiros Jovassi Correia Dias, Hélio Rodrigues, Patrícia, Valdes Rodrigues e Paulo Roberto Verzola também fazem parte do testamento de Bush, como também a querida amiga Olívia Manha, responsável pela sauna do Clube dos Bagres.
LÍNGUA FERINA
O que Pelé vai dizer agora com Robinho sendo inocentado da prática de estupro? Que palavra de `rei` não volta atrás?
NEGATIVO
A procura por pescado nessa Semana Santa faz o preço do produto subir vertiginosamente. Não se sabe se o aumento começa com os produtores ou fica por conta dos vendedores, que aproveitam a liturgia católica para ganhar mais uns cobres. Vale lembrar ainda que, nesta época, muitos comerciantes molham o bacalhau para que fique mais pesado. Essa atitude, além de lesiva ao bolso do consumidor, pode estragar o produto. Fique de olho e denuncie.
POSITIVO
A nossa Francana, até o fechamento dessa coluna, antes do jogo contra a Inter de Limeira, liderava isoladamente a série A-3 do Campeonato Paulista, com chances enormes de chegar entre os 8 finalistas. Perdeu os últimos dois jogos, é verdade, mas ainda não vejo motivo para desespero. O torcedor precisa acreditar e incentivar o time esmeraldino em busca do acesso, muito perto de acontecer. Pensamento positivo e espero que todos hoje estejam comemorando a reabilitação da Feiticeira, com uma bela vitória sobre a Inter.
MANIA DE DOENÇA
O hipocondríaco chega ao consultório médico muito preocupado:
- Doutor, penso que estou muito doente...
- Que novidade... - retruca o médico - o que foi desta vez?
- Faz uns dois anos que minha mulher está me traindo, mas o chifre não nasce. Será que é falta de cálcio?
Edward de Souza
Jornalista e radialista - edward@comerciodafranca.com.br
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