Driblando a crise


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Imagine ficar sem crédito no celular, sem internet, regular a visita ao cabeleireiro ou mesmo deixar de comprar aquele jeans ma-ra-vi-lho-so exposto na vitrine. Como se isso não bastasse, imagine ainda ir ao supermercado e voltar para casa sem guloseimas como chocolates, biscoitos recheados ou então sem aqueles gibis e revistas que ficam próximos aos caixas atraindo sua atenção. É difícil, não é? Pode até ser, mas em momentos de crise, quando a palavra de ordem é economizar, os jovens são aliados importantes dos pais nesta tarefa. Seja colaborando nas despesas, comprando menos ou mesmo arrumando um emprego. Os irmãos Bruno Donizete, 18, e Ricardo dos Reis Honório, 15, estão no grupo daqueles que decidiram ajudar a família a passar pelo período difícil. Sabem que todo início de ano as despesas de casa aumentam por conta dos impostos. Mas, agora, entenderam que a preocupação é ainda maior do que a existência de contas fixas. A família teme o desemprego. E não é para menos. Desde setembro de 2008 quando estourou a crise financeira mundial, milhares de postos de trabalho foram fechados em todo o mundo. Franca não foi exceção. Só no mês de dezembro foram fechadas 11 mil vagas em sete setores da economia da cidade. Desse número, 9,9 mil pessoas trabalhavam na indústria de calçados. É justamente esta a área em que Claudionor Borges Honório, pai de Bruno e Ricardo, trabalha. Representante comercial, Claudionor não está desempregado, mas nos últimos seis meses viu sua renda diminuir pela metade por conta da escassez de pedidos. "Antes da crise, os pedidos chegavam a R$ 120 mil, por viagem. Agora, o máximo que consigo é vender 50% disso", disse Claudionor. A situação colocou a família em alerta. O apoio dos filhos foi fundamental para que a crise não se instalasse de vez na casa da família. "Estamos tomando banho mais rápido, evitando desperdícios de energia e água. Já nas compras do mês cortamos os produtos supérfluos", conta Bruno Donizete. Além de evitar desperdícios, Bruno tomou outra atitude: quebrou seu cartão de crédito. "Estava gastando mais do que ganhava". Já Ricardo ainda não trabalha e sempre que precisa de dinheiro recorre ao pai. Neste período de crise, o rapaz também entendeu que é preciso economizar. "Não vou pedir uma roupa nova se sei que a situação está difícil", disse Ricardo, que, por causa da idade, ainda não pode trabalhar. Reduzir despesas não é a única saída encontrada pelos jovens para ajudar os pais financeiramente. A estudante Quelbi Caroline, 21, terá que arrumar um emprego para pagar a conta de luz e a mensalidade da faculdade. "Há quatro meses estou desempregada. A renda do meu pai como vendedor autônomo (de acessórios para celular) não dá para pagar as despesas mensais do curso (de R$ 500). Só resta eu arranjar um correndo", disse. A iniciativa de Quelbi é idêntica à da estudante Rosiane dos Santos Rossato, 17. A diferença é que ela teve um pouco mais de sorte. Conseguiu um trabalho temporário em uma banca de pesponto há dois meses e está ajudando os pais nas despesas de casa. Ela entrega metade do salário de R$ 400. Com o restante compra roupas e objetos pessoais. "Tive que arranjar (o emprego) para cooperar em casa. As contas são muitas", revelou a estudante. Para o economista Hélio Braga, o jovem precisa ser organizado para lidar com o dinheiro. Só assim conseguirá driblar a crise. Ele indica ainda cautela e muita persistência. "É preciso ter paciência com o período de instabilidade financeira. Colocar as contas no papel e saber quanto se pode gastar a cada mês é um bom passo", disse. <a target="_blank" href="http://gcncomunica.wordpress.com/files/2009/04/se-liga-crise-financeira.jpg"><img src="http://gcncomunica.wordpress.com/files/2009/04/se-liga-crise-financeira.jpg?w=300" alt="arte/comércio da franca" title="arte/comércio da franca" width="300" height="174" class="alignnone size-medium wp-image-2455" /></a> <em>*Clique na imagem para ampliar.</em>

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