Sem ter como regularizar a situação perante a Prefeitura e precisando trabalhar, os boloteiros expulsos das áreas públicas do município têm se virado, como podem, para manter seus negócios funcionando. Pequenos cômodos alugados de particulares têm sido o recurso mais comum. O problema é que a maioria dos locais encontrados fica fora de ruas e avenidas movimentadas. Com isso, o movimento dos comerciantes informais despencou nos últimos dias.
Jurandir de Assis Riquieri, 28, trabalhava em um trailer na Avenida Integração. Mudou-se para um ponto da mesma via por falta de opção e não tem tido vida fácil. “A gente está passando dificuldades financeiras. A gente acomodava antes 60 pessoas sentadas, hoje não passam de 15. Cada cem lanches que a gente vendia antes representam 30 atualmente”, disse.
Segundo Jurandir, foram feitas tentativas junto à Prefeitura de regularização do negócio, mas sempre sem sucesso. “Nunca quisemos atritos com a Prefeitura. Mas ela não quis. Simplesmente estipulou um prazo e tivemos de sair”, reclamou.
Após 10 anos de trabalho na Avenida Abrahão Brickmann, Eziel dos Santos, 31, teve de deixar o terreno público que ocupava. Nos seis meses que teve desde o início da discussão acerca da ocupação dos espaços pertencentes ao município, Eziel disse ter procurado se adequar às regras. Mas isso tem custado, segundo ele, um preço muito alto. “Eu tinha seis funcionários e já tive que mandar três embora. Agora, nos próximos dias, vou dispensar mais um. Não é o que queremos, mas não está tendo jeito”, disse o boloteiro.
Segundo ele, até as 22 horas de sexta-feira, no antigo espaço ocupado, era possível vender, em média, 120 lanches. Com a mudança de local, no mesmo horário, tinha vendido 40. “Não tem como aguentarmos. É mais conta e menos movimento”, completou.
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