Caminho das Índias


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Em 1492 o navegador genovês Cristóvão Colombo, sob o patrocínio dos reis Fernando e Isabel, partiu do porto de Palos, na Espanha, para encontrar o caminho das Índias, navegando para o Ocidente. Tal procura era fundamental para a economia da época, uma vez que os árabes haviam tomado e interrompido a rota para o Oriente. Em 12/10/1492 chegou à ilha Guanaani (hoje São Salvador), na América Central e julgou haver encontrado a Índia, daí a atribuição de índios aos seus habitantes. Só mais tarde é que se conseguiu dobrar o Cabo das Tormentas e chegar, finalmente, às Índias. Na atualidade, a rede Globo está exibindo a novela Caminho das Índias trazendo ao conhecimento dos telespectadores aspectos culturais daquele país milenar, especialmente, com relação à religião. Como já foi informado pela autora da novela, a Índia tem uma população de 1,2 bilhão de habitantes, morando num território semelhante ao Brasil. A crença predominante é o hinduísmo, com peculiaridades nas diversas regiões do país. O hinduísmo ensina, de maneira própria, a ideia da reencarnação. Assim é que os hindus admitem a volta à vida material por muitas vezes. No entanto, admitem que o espírito humano possa reencarnar em um corpo de animal, caso não tenha uma vida digna aqui na Terra. É a chamada metempsicose, também admitida por egípcios e gregos. Aceitam ainda a imutabilidade de castas, isto é: quem reencarna como pária, que é classe miserável, sempre reencarnará como pária e quem reencarna como brâmmane, será sempre brâmmane. Há, também, uma certa acomodação com relação ao sofrimento do semelhante. Dizem eles: “Ora, se está sofrendo é porque merece!”. Analisando tais conceitos à luz da doutrina espírita, vemos que se trata da ideia da reencarnação um tanto quanto diferente do que ensina o espiritismo. Em primeiro lugar, porque o Espiritismo é contrário à ideia da metempsicose. Ensina a doutrina espírita que, chegado à fase hominal, o espírito não retrograda, isto é: não pode reencarnar como animal. A crença na metempsicose originou-se da necessidade de amedontrarem se as classes inferiores, ameaçando-as com o temor da volta ao corpo animal. Depois, a doutrina espírita ensina que a reencarnação objetiva a evolução do espírito; que é necessário o “ser” espiritual conhecer todas as situações da vida terrena a fim de conseguir o progresso. Assim, numa encarnação, estamos como comandados e noutra como comandantes. É a chamada mobilidade social. Portanto, ora podemos estar como párias e ora, como brâmmanes. Finalmente, explica o Espiritismo que diante do sofrimento do nosso semelhante nos compete tudo fazer para minorar o seu sofrimento. Aliando o conhecimento espírita à moral de Jesus, compete-nos amparar, socorrer, auxiliar aqueles que estão sofrendo, “porquanto, devemos fazer aos outros o que desejamos que se nos faça”. É a caridade ensinada pelo espiritismo, que afirma: “Fora da caridade não há salvação”. Felipe Salomão Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)

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