Juliana era babá e voltou da Espanha antes da metade do ano passado. O casal Ronilson e Fabiana e a filha Bianca também retornaram de lá após quase quatro anos. André, acompanhado da mulher e dos filhos, chegou do Japão depois do Carnaval. Embora tenham histórias diferentes, todos têm em comum o fato de terem seus destinos mudados por conta da crise econômica mundial. Sem emprego ou com a situação financeira cada vez mais difícil, eles se viram obrigados a deixar a vida no exterior e voltar para o Brasil. Todos moram hoje em Franca.
Após oito meses em Madri, capital da Espanha, a então babá Juliana Galvão Barcelos, 25, não conseguia mais enviar dinheiro para a família que ficou aqui. No serviço, não recebia mais que 400 euros, o equivalente a R$ 1.200. Além disso, tinha apenas uma folga semanal e ficava longe de amigos e familiares. "Receber bem e sentir saudade da família é uma coisa, mas quando o que você ganha não é suficiente, fica inviável continuar". Ela retornou no primeiro semestre de 2008, quando a crise na Espanha começava a se transformar num turbilhão de problemas.
Com uma filha de 8 anos para cuidar e somente com a mulher trabalhando como doméstica, Ronilson Pires de Mesquita, 34, também não encontrou outra alternativa. Deixou as terras espanholas em outubro e embarcou de volta para o Brasil após ver as ofertas de serviço minguar.
"Trabalhava como autônomo na área de gesso para construção civil e, de repente, passei a trabalhar semana sim outra não. As obras passaram a parar". Mesquita retornou com a família e resolveu investir numa nova vida. Abriu uma funerária em sociedade na região, onde também conta com a ajuda da mulher. "Foi bom o tempo que passamos lá, mas não pensamos em retornar", disse Fabiana.
Morando no Japão desde 2000, a família do francano André também precisou voltar para o Brasil. Ele diz que em razão das quedas nas exportações perdeu o emprego numa montadora de veículos. "Fazia peças de motor para carros da Toyota e a maioria era para exportação. Como os Estados Unidos não compravam mais, as horas extras foram diminuindo e em novembro me mandaram embora".
André ficou mais três meses no país sobrevivendo com o seguro-desemprego, e como não conseguiu um novo emprego resolveu fazer as malas de volta. "Não tinha mais onde trabalhar". Sobre o Brasil disse que, após oito anos, tudo está diferente. "Me acostumei a viver no Japão e voltaria para lá, caso existisse uma nova oportunidade. Aqui tenho medo da violência. No Japão é mais tranquilo".
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