Eficiente ao invés de forte


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Durante a 6ª. Cúpula de Líderes Progressistas, realizada no Chile, o presidente Lula defendeu em dois de seus discursos “um Estado forte”. Em termos práticos não consigo compreender o que nosso presidente chama de Estado forte, contudo experiências passadas fazem temer que a expressão carregue um ranço de períodos em que o lema era “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Além de incomodar por ser uma expressão que pode ter conotações nada democráticas, a frase soa no mínimo incoerente com o tema do fórum no qual foi apresentada. Talvez defender um Estado eficiente fosse mais adequado, não só pela demagogia do evento, mas pelas inúmeras situações nas quais podemos identificar a completa ausência de capacidade do Estado de produzir com qualidade e segurança o que dele se espera. Quem sabe se ao invés de um Estado forte tivéssemos um Estado capaz de prover um serviço de saúde digno, equânime e eficiente, nosso povo fosse no mínimo mais saudável. Porque não, ao contrário de se desejar um Estado forte, não se trabalha para um Estado que seja capaz de cuidar para que todos tenham acesso a água potável e esgoto encanado. Um Estado forte pouco ou nada tem a oferecer se persistir no nepotismo, no fisiologismo, na corrupção. Um Estado eficiente se tornaria rapidamente um Estado forte sem esconder em suas entranhas o uso leviano das instituições. Eficiência - e não força - parece ser a palavra-chave quando olhamos para as mazelas da educação e da segurança pública. Quem sabe competência e comprometimento fossem capazes de levar o País a um melhor patamar de desenvolvimento científico e tecnológico. Investimento - e não força - tornaria possível uma produção científica muito mais profícua. Força não parece ser a melhor opção quando as manchetes de política se confundem com as de polícia. Pode até ser compreensível que alguém pense em um Estado forte diante de tamanha confusão econômica, principalmente quando se pretende aproveitar a oportunidade para propor uma nova ordem econômica mundial. Contudo, não parece necessário que façam da crise trampolim para a defesa de ideologias. Não posso crer que tornando-se eficiente o Estado brasileiro precise da força para manter-se organizado e “sob controle”. Porém se refletirmos com calma sentiremos um frio na espinha ao pensar em um Estado forte e também ineficiente, corrupto, omisso e injusto. Talvez tenha sido o calor do debate que induziu ao erro na escolha da palavra adequada. Talvez a ânsia de querer encontrar uma alternativa para devolver ao mundo uma rotina econômica menos caótica levou nosso presidente a pensar em força e não em eficiência. Porém é preciso manter-se sóbrio e lúcido mesmo nos momentos em que não se vê com clareza o horizonte. A eficiência ao invés de força certamente terá mais chance de ajudar o País. A eficiência em detrimento da força trará mais conforto e segurança ao povo brasileiro. Eficiente ao invés de forte. Esse é o modelo de Estado que tanto necessitamos e que tão pouco temos percebido. Alexandre H. Leonel Farmacêutico, ex-integrante do Conselho de Leitores - leonel@comerciodafranca.com.br

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