A crise econômica mundial que começou nos Estados Unidos em 2008 e se alastrou para todo o mundo chegou a Franca e atingiu muitas pessoas da cidade. Nesta semana a reportagem do Comércio visitou duas famílias que passam por duras dificuldades financeiras. Nos dois casos o drama teve início após a demissão das pessoas que sustentavam as casas.
Há oito meses a desempregada Rejane Suave, 32, mudou-se de Uberaba (MG) para Franca acompanhada dos três filhos, de 15, 3 e 2 anos. Ao chegar à cidade começou a trabalhar com a fabricação de bijuterias em uma pequena casa de fundos que alugou na Vila Santa Terezinha.
Em janeiro, Rejane perdeu o emprego e passou a sustentar sua família apenas com a pensão de R$ 200 que recebe do ex-marido, valor insuficiente para pagar aluguel e também as contas de luz, água - que já foi cortada - e para comprar alimentos. Ontem Rejane e seus filhos só não ficaram sem comer porque um vizinho doou um pouco de arroz e óleo para a dona de casa. “Cada dia alguém ajuda de alguma forma e ameniza um pouco o sofrimento, mas é uma situação muito ruim. No mês passado meu ex-marido perdeu o emprego e não mandou o dinheiro.
A pior coisa do mundo é você ver um filho pedindo comida e não ter condições de comprar nem um litro de leite. Isso dói no coração”, disse, emocionada, a desempregada que procura emprego como doméstica, faxineira ou para fazer costura manual de calçados em casa. “Quero muito trabalhar”, afirmou. Os interessados em ajudar podem ir até a residência de Rejane, na Rua Zeferino Ferraz, 780, fundos, na Vila Santa Terezinha.
Drama parecido vive o comerciário desempregado Ulisses Anderson de Souza, 28, que mora com a mulher e quatro filhas pequenas na Vila Aparecida. Com quatro aluguéis atrasados e convivendo constantemente com a ameaça do despejo, ele e sua mulher tentaram, sem sucesso, conseguir empregos temporários para o período que antecede a Páscoa. “Sempre que eu deixo currículo em algum lugar, as pessoas falam que vão ligar depois e nunca retornam. Estou passando por dificuldades e nem comida tenho mais em casa”, disse o desempregado que mora na Rua Paraná, 831, na Vila Aparecida.
<b>Ouça abaixo a entrevista de Gabriel Ciciliani com a dona de casa Rejane Suave:</b>
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AJUDA
O secretário municipal de Ação Social, Roberto Nunes Rocha, disse que as duas famílias serão visitadas por assistentes sociais e incluídas em programas sociais do município e do governo federal. Para Rocha, a crise financeira tem, de fato, influenciado na vida dos francanos e um reflexo direto disso é o número de atendimentos registrados nas cinco unidades do Cras (Centro de Referência de Assistência Social). “No ano passado, eram atendidas 30 pessoas em média por dia. Já em 2009, 60 pessoas buscam ajuda diariamente nestes locais”.
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