Amigo encontra os corpos; PM descobre matadores `por acaso`


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O dia havia acabado de amanhecer quando o patrão de Carlos Roberto Faccion, o “Carlinhos”, preocupado com seu atraso para chegar ao trabalho, foi procurá-lo em casa. Chamou-o insistentemente pelo nome. Ninguém atendeu. A Belina de Carlinhos estava na garagem. A Variant, também dele, não. O homem notou que o portão estava apenas encostado e entrou no quintal. A porta também não estava trancada e ele entrou. Voltou a chamar, sem resposta. Deu mais alguns passos e se deu conta que pisava em uma poça de sangue. Avistou, então, na cozinha, o funcionário morto, completamente ensanguentado. Desesperado, chamou a Polícia Militar. Os soldados rapidamente chegaram ao local e notaram que duas crianças, Luiz Henrique, o “Dudu”, e Laira ainda estavam vivas. Agonizantes, foram encaminhadas às pressas para a Santa Casa da cidade e, de lá, removidas em estado grave para o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Sobreviveram, após meses de internação e dezenas de cirurgias, mas ficaram com sequelas, principalmente Dudu (leia mais na página A-5). A mãe de Carlinhos, Alice Faccion, então com 72 anos e que tinha problemas mentais, foi encontrada dormindo, sem ferimentos. Meses depois, morreria vítima de um derrame. <b>OS CRIMINOSOS</b> Outra equipe de policiais que também estava no local foi informada que um dos Faccion, Carlos Fabiano, o “Fabinho”, não estava na casa. Disse que o rapaz deveria estar na residência de uma amiga onde sua namorada, Edna Emília Milan, estava hospedada, na Vila Lídia, bairro não muito distante do Alvorada. Tia de Fabinho, Márcia Botelho, 41, disse que queria dar a notícia e confortar o rapaz. “Chegamos na casa e eu chamei pelo Fabinho. Ele atendeu a porta sem camisa e quando eu falei que alguém tinha matado a família dele, que tinha sido um assalto, ele perguntou: ‘E agora, tia, o que vou fazer sem os meus pais?’”, disse Márcia. “Eu nem reparei, mas o policial achou a reação esquisita e começou a conversar com ele”, completou. O PM notou que o pintor estava com as mãos machucadas. Questionado, Fabinho disse que havia brigado no dia anterior. Em seguida, Edna surgiu. Tinha marcas de sangue em sua calça. Alegou que estava menstruada. Desconfiados, os policiais os detiveram e levaram à delegacia. Poucas horas depois, confessariam que, com a ajuda de CRSD, então com 13 anos, haviam matado os Faccion. O pintor e Edna foram presos em flagrante e permanecem até hoje atrás das grades.

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