Sonho de ser artista


| Tempo de leitura: 3 min
Pintar, dançar, encenar, enfim, ser um artista e viver disso é o sonho de boa parcela dos jovens. Mas alcançar a estabilidade em uma carreira do gênero é algo para poucos. E extremamente difícil. Na maioria das vezes quem se dispõe a tentar vencer as barreiras adquire experiências de frustrações e muita luta. Mesmo assim desistir não é uma palavra utilizada pelos maiores interessados em chegar ao ápice. Juliano Tótoli, 19, é um exemplo. Ao entrar em sua residência logo se percebe que ali vive um artista. Na casa molduras e telas ocupam um grande espaço. A mistura de cores e desenhos refletem sonhos e esperanças, que são regados com muita criatividade. "Minha ligação com a pintura surgiu aos 10 anos, quando via minha mãe pintando panos de prato", disse Juliano. Foi participando de um concurso em 2001, com 12 anos, que ele conseguiu que seu trabalho fosse visto e apreciado. "Como prêmio ganhei uma bolsa em uma escola da cidade", revelou. Hoje Juliano não vende quadros por menos de R$ 100. "O preço varia de tamanho e desenho. Tenho obras que custam R$ 1 mil", disse. Mesmo já conseguindo uma renda não é o suficiente para se sustentar. Para ajudar em casa trabalha como vendedor. Mesmo assim sua ligação com a arte transcende os quadros. Juliano Tótoli também faz teatro e dança. Atualmente sua especialidade são as pinturas acadêmicas. Mas já adquiriu condições de "pegar" telas de encomenda. "Agora estou pintando um quadro de uma foto de uma garotinha. Tudo custará R$ 250". Sua primeira obra, e a mais valorizada pelo artista, a `Rosas Inglesas`, não tem preço. E de gasto para cada tela não sai menos de R$ 70. Seu trabalho tem duração no mínimo de um mês para ser concretizado. Outro que vê a arte como trabalho e meio de vida é Alex da Silva Santos, 22, que tem o teatro como especialidade. Sua história passa pela necessidade de atender a um pedido familiar. Para seguir seu sonho, ele teve de se render às exigências do pai e encarar a faculdade de Ciências da Computação. Hoje faltando apenas um ano para se formar já faz planos para prestar cursos ou faculdade de artes cênicas. "Pretendo ir para a capital". Na vida de Alex a identificação com a arte começou no segundo colegial, quando participou de uma peça na escola. Desde então não parou mais de encenar. Atualmente, além de participar de peças, dá aulas gratuitas de teatro para crianças e jovens. A recepcionista Fernanda Faciroli, 22, tem como paixão a dança desde os 14 anos. Sua especialidade é o balé contemporâneo. E como os outros também encontra dificuldade na obtenção de recursos. A razão é simples: a dança é pouco explorada profissionalmente na cidade, o que a obriga a sempre procurar em todo evento um espaço para mostrar sua aptidão. Para tentar novos campos já sabe qual estratégia utilizará: tentará um lugar nas faculdades federais de dança. Para o coordenador da Pinacoteca de Franca, Wagner Voss, falta a divulgação dos trabalhos de artistas na cidade. Não que não sejam divulgados, mas para ele os jovens deveriam expor muito mais seus projetos e criações. Voss acredita que só assim os trabalhos podem começar a ser reconhecidos. E menciona que uma alternativa pode ser a participação de encontros com a comunidade "Os jovens artistas, principalmente os pintores, deveriam participar mais de associações e entidades, onde poderiam conhecer pessoas e divulgar melhor suas obras. Expondo em um local desses, por exemplo, poderiam abrir espaço junto à população", comentou.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários