O Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) publicou no domingo um comunicado às indústrias em que acusa o Sindicato dos Sapateiros de tentar forjar um resultado para as negociações salariais. Segundo o Sindifranca, os sapateiros teriam encaminhado às empresas e escritórios de contabilidade uma circular tentando induzir os empresários a fecharem acordo de salários individualmente.
O Comércio teve acesso à circular. No documento, de 16 páginas, o Sindicato dos Sapateiros apresenta uma proposta de acordo que foi aprovada pelos associados em assembleia no dia 21 de março, mas omite que a mesma foi rejeitada pelo Sindifranca. Na circular, o Sindicato dos Sapateiros pede para que os calçadistas fechem acordo individual (quando cada empresa concorda com os termos da proposta dos trabalhadores) de reajuste de 7,5%, R$ 565 de piso salarial, R$ 150 de abono escolar e 90 horas de participação nos lucros e resultados, ignorando a posição do sindicato patronal.
Para o Sindifranca, não são os índices apresentados pelos sapateiros que preocupam. A entidade reclama que a circular leva o empresário a entender que há consenso com o Sindifranca para o fechamento de acordo diretamente com as empresas. "A atitude (dos sindicalistas) é antiética e busca maquiar a intransigência nas negociações da convenção coletiva", diz trecho da nota. O Sindifranca orientou os empresários a não assinarem o acordo e aos contabilistas para ficarem atentos ao que classificou de "manobras".
Ontem, um dia depois da publicação do comunicado, o Sindicato dos Sapateiros se defendeu. Disse que não há irregularidades em negociar direto com as empresas e que o Sindifranca sabia que essa seria a iniciativa tomada pela entidade. Paulo Afonso Ribeiro, presidente, explicou que o acordo diretamente com as empresas foi aprovado em assembleia da categoria à época em que o Sindifranca suspendeu as negociações. "Não fizemos nada escondido. Inclusive informamos isso em mesa. Nunca fomos antiéticos. Agimos sempre com dignidade e respeito. Não fomos nós que suspendemos o processo de negociação".
Para o presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão do Couto, não há justificativa para o caso. "Tínhamos agendado um encontro para a manhã desta segunda-feira (ontem) para que as partes voltassem a conversar. (...) Faltaram totalmente com a ética e profissionalismo. Como confiar na palavra deles uma vez que procedem desta forma?", questiona Brigagão.
Na manhã de ontem, as comissões de negociações voltaram a se reunir na Delegacia Regional do Trabalho. Apesar do clima tenso, ninguém tocou no assunto. As negociações salariais também não avançaram. O Sindifranca não abre mão de discutir a implantação do banco de horas nas indústrias e o Sindicato dos Sapateiros se nega a sequer tocar no assunto (leia mais em texto ao lado).
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