Não há dúvidas sobre o interesse de jovens em frequentar postos de combustíveis. Basta dar uma volta pelos mais badalados de Franca e comprovar. Entre quinta-feira e domingo, estes locais são redutos daqueles que querem ouvir música no carro, conversar e beber. No Parque Vicente Leporace, no entanto, o ponto de encontro aos fins de semana é outro. A mania dos jovens daquela região é frequentar uma estreita calçada, na Avenida Abraão Brickman, próximo à loja virtual do Magazine Luiza.
Para conhecer de perto esse comportamento e entender o que de tão interessante existe no lugar o Se Liga foi até o local para conversar com seus assíduos frequentadores. Descobriu que o point existe há mais de dois anos. Começou com grupos de jovens que costumavam ir à missa na Igreja São Vicente de Paula, no Jardim Portinari. Ao saírem da igreja, muitos paravam para bater papo na calçada, a caminho de casa. Aos poucos o local foi ganhando novos visitantes e se transformou no ponto de encontro dos moradores dos Jardins Luiza, Vera Cruz, Portinari, Tropical e Paineiras, entre outros da região.
À primeira vista não há nada de mais no lugar: duas sorveterias de portas abertas e lojas, muitas lojas fechadas, afinal, é domingo. A diversão, aparentemente estranha, atrai centenas de adolescentes e jovens. Transitar na calçada sem se esbarrar em alguém é praticamente impossível. A "ferveção" começa por volta das 20h30 de domingo. Rapazes e moças vão chegando e parando em grupos no local. Quem tem carro abre o porta-malas e exibe as potentes caixas de som. São tantas variedades de música que dá para escolher qual ouvir. Em aproximadamente 300 metros de calçada chegam a "estacionar" - em noites quentes - até 600 pessoas.
Frequentar a calçada exige um look especial, próprio para atrair a atenção do paquera. Geralmente os garotos vestem jeans, camiseta e tênis. As meninas usam shorts, minissaias, blusas baby look e chegam a se maquiar. Tanto eles quantos elas capricham nos acessórios.
Para manter a ordem, policiais costumam fazer rondas na avenida e, às vezes, estacionam a viatura no canteiro central. Um policial ouvido pelo Se Liga disse que é preciso estar de prontidão porque alguns rapazes, no intuito de se exibir, costumam "arrancar" seus carros e motocicletas. Além disso, há a possibilidade dos jovens fecharem o trânsito da avenida em dias de grande movimento.
Os amigos Flávia Cardoso, Wallas Menezes, Murilo e Estevão Machado - os dois últimos são irmãos - escolheram a calçada como ponto de encontro. Disseram que passam algumas horas da noite de domingo no local para colocar o papo em dia. Além disso, não há muito o fazer no bairro ou mesmo em casa. "Aqui podemos falar da semana, rir, brincar e rever os amigos", disse Flávia. "Ficar vendo televisão não dá. Só tem coisas chatas aos domingos", disse Wallas. Seu colega Murilo tem, ainda, outros interesses. "Faço amizades e conheço muitas meninas bonitas", completa.
Outro grupo encontrado na calçada era formado por Bruno César, Murilo Batista, Micael Alves e os irmãos Edmar e Éder Domenegueti. Os rapazes são todos maiores de 18 anos e disseram "curtir" a movimentação do lugar há cinco meses. Chegam por volta das 20 horas e deixam o local às 23 horas. "Estamos aqui quase todos os domingos. Paqueramos as gatinhas", disse Éder.
LUCRO
Para os comerciantes da região a movimentação dos jovens é bem-vinda. Dono da sorveteria Mag Shake, Martin Antônio, disse que gosta de ver a moçada transitando pelo local. Ele não revela quanto fatura a mais principalmente aos domingos, mas acha que o ponto foi uma excelente escolha feita há dois anos por ele e o sócio. "Para mim é muito bom", afirmou.
Defronte do lugar há dois “bolotas”, costumeiramente cheios. Isso dá a opção de se comer alguma coisa, caso o bate-papo com as garotas evolua. "Temos a oportunidade de conhecer melhor as meninas do bairro", explicou Éder Domenegueti.
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