O Brasil é um país repleto de riquezas culturais e entre elas é preciso destacar a língua como um patrimônio nacional sem precedentes.
A mistura de raças ao longo desses mais de cinco séculos e a extensão territorial continental foram responsáveis pela criação e regionalização de expressões com significados particulares e muitas vezes até pedagógicos.
Além disso, as expressões populares da língua portuguesa no Brasil podem ser excelentes subterfúgios para se dizer o que se quer dizer quando não se sabe bem ao certo que palavra usar. Nesse quesito, sem sombra de dúvida, são os políticos os maiores adeptos das expressões brasileiramente cunhadas.
Em tempos difíceis, como os atuais, uma expressão popular usada na hora certa pode salvar o dia de um engravatado homem público. Mas nem sempre é assim: há dias em que o tiro sai pela culatra.
Mas não são apenas os políticos que podem se beneficiar das expressões populares. O cidadão também tem seus momentos de sábias palavras e sem querer tapar o sol com a peneira, muitos de nós podemos, sem papas na língua, expressar indignações com lágrimas de crocodilo de gente que, pega com a boca na botija, é capaz de afirmar - nunca o vi mais gordo!
Sem meter os pés pelas mãos e não pensando em passar o carro na frente dos bois, muita gente usa as expressões para explicar o inexplicável, mesmo quando já é tarde e a Inês é morta. Outras vezes o melhor a fazer é sair com o rabo entre as pernas, antes que a imprensa ou a oposição façam barba e bigode.
Como cada qual sabe onde lhe apertam os sapatos muitos de nós, apesar de comprado gato por lebre, preferimos chover no molhado e afirmar que os cães ladram e a caravana passa. Outros, mais esquentados, preferem uma no cravo e outra na ferradura.
Talvez a mais conhecida expressão popular dos últimos anos seja “acabar em pizza” e acontece sempre que na casa da mãe Joana alguém dá com os burros n`água e vira boi de piranha por algum tempo.
E, como por aqui tudo é feito nas coxas e para inglês ver, rapidinho ninguém mais se lembra do saco-roxo, da Elba, do confisco ou do PC.
E um amigo escreveu dizendo que, não demora muito, o Lula vai dizer que por conta dessa crise estamos comendo o pão que o Fernando Henrique amassou. Piadas à parte, todos nós sabemos que não é preciso ter memória de elefante para lembrar que pau que bate em Chico também bate em Francisco. Mas antes que mais gente caia no conto do vigário é sempre bom avisar que a marolinha chegou. E chegou com cara nova. Agora tem cara de gripe.
Por falar em gripe - e para que ninguém vá se queixar ao bispo sobre o que escrevi hoje - vale lembrar e elogiar a mais nova vacina antigripe do planalto: o bolsa-casa. Um milhão de casas com prestações de cinquenta reais para o povo trabalhador desse País parar, definitivamente, de pagar aluguel. Sem data para começar - e muito menos para terminar - o novo remedinho para a gripinha financeira parece ter um calcanhar-de-aquiles: não se sabe até agora onde vão ser construídas as novas moradias.
Como de construção civil eu não entendo patavina, e como a esperança é a última que morre, eu só espero que esse não seja mais um daqueles projetos sem eira nem beira.
Alexandre H. Leonel
Farmacêutico, ex-integrante do Conselho de Leitores - leonel@comerciodafranca.com.br
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