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Não conheço o rapaz que dirigia o carro. Não conheço sua família. Não conheço o frentista, nem sua família. Mas conheço casos similares. E um dos que mais me lembro é o "Escola Base". É preciso observar que algumas pessoas não concordaram com a desqualificação do tipo penal imputado ao jovem Caio (de lesão corporal culposa para homicídio doloso), motivo pelo qual houve, até mesmo, a redesignação do promotor favorável à imputação de tentativa de homicídio. Por acaso alguém acredita mesmo que o jovem Caio invadiu o posto com a intenção manifesta de matar o frentista? O que houve foi um acidente, barbeiragem ao volante de um jovem intoxicado por álcool e, dizem, lança-perfume. Não tenho informação se foi feito algum exame toxicológico a provar o uso do lança-perfume. Ademais, imputar a ele o crime de "associação ao tráfico" porque estava com alguns frascos vazios de lança-perfume é querer atender demais ao clamor popular. Precisamos nos lembrar que quando o povo condena, invariavelmente alguém inocente é punido. O caso da "Escola Base" me volta à lembrança. Pois é. Para evitar linchamento (quando o povo investiga, processa, julga, condena e aplica a pena) é que existem juízes. Tenho certeza que Caio, se for a júri popular, sairá de lá absolvido. Mas, se for a julgamento singular, receberá a pena que a lei lhe imputa. Não mais, não menos. É importante que a imprensa não seja porta-voz da insanidade do clamor popular e aja com parcimônia e isenção, como tem feito este Comércio. Vigiemos, pois.

José Antônio Lomonaco Fortaleza - CE

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