Tradição da tesoura


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Eles são os profissionais da beleza. Pelo menos uma vez por mês, homens e, principalmente mulheres, os procuram para "melhorar" o visual. Seja com tinturas, cortes, hidratação, escovas ou chapinhas, não importa. Os cabeleireiros dão um toque especial nos fios e, em alguns casos, podem fazer milagres em nossa aparência. A profissão ainda não é regulamentada. Para se tornar um cabeleireiro a maioria dos profissionais faz cursos específicos ou aprendem a função na prática, dentro dos salões. O que todos concordam é que cuidar dos cabelos requer paixão. Muitas vezes, ela desperta desde a adolescência segue de geração em geração. É o caso da família Gomide. Foi dos avós e pais cabeleireiros que os primos Douglas Lorran Gomide, 16, e Sérgio Antônio Gomide Júnior, 11, herdaram o gosto pela profissão. Desde criança eles ajudam os pais cabeleireiros no salão da família. "Aos 10 anos já realizava serviços gerais aqui no salão. Varria, lavava e atendia. Aí comecei a gostar de cortar e aos 11 fiz um curso na Central de Cabeleireiros", disse Douglas. Hoje com 16 anos ele é um dos preferidos da clientela do salão. "Aqui o cliente escolhe com qual profissional quer cortar o cabelo. E ele é um dos mais requisitados", disse o proprietário, cabeleireiro e tio de Douglas, Sérgio Antônio Gomide, 40. Seguindo o mesmo caminho do primo, Júnior com apenas 11 anos, já tem o futuro definido em sua cabeça. "Pedi para o meu pai me ensinar e hoje faço alguns cortes eventuais de cabelos de homens - são mais fáceis - e curtos em mulheres. Mas ainda quero fazer cursos e saber fazer de tudo", disse. Os pais ficam orgulhosos e dizem que nunca forçaram os garotos a seguir a carreira. "Eu segui a carreira do meu pai naturalmente, meu filho também foi assim. É muito bom trabalharmos todos juntos", disse Célio Aparecido Gomide, 39, pai de Douglas, tio de Júnior e irmão de Sérgio. `BOOM` DE MERCADO Em Franca todos os anos se formam mais de 450 profissionais nas três principais escolas de cabeleireiro da cidade. Os cursos vão de básico a avançado com especializações. Ensinam os cuidados para a saúde dos fios, técnicas de corte, coloração, penteados, entre outros. Os preços variam de acordo com o número de aulas, de R$ 1.640 a R$ 2.028. Depois de aprender, o profissional pode atender os clientes em sua própria residência, montar um salão especializado, prestar serviços em domicílio ou fazer parte de estúdios e centros de beleza. O piso salarial depende da clientela de cada cabeleireiro e varia de R$ 1 mil a R$ 3,5 mil por mês. Quem entra para a profissão não basta saber apenas o "básico", tem que sempre se atualizar, acompanhar as novidades. "A área tem desenvolvimento tecnológico contínuo, lança novos produtos e serviços a todo momento. Para atrair ainda mais a clientela é preciso se especializar", disse a cabeleireira Elizabete Andrade. Não há um número exato de cabeleireiros trabalhando em Franca atualmente. Mas seja qual for a região da cidade, eles estão lá. O custo para se montar um salão de beleza varia de R$ 6 mil a R$ 18 mil dependendo da quantidade de equipamentos e do tamanho do salão. Para o proprietário de uma escola de cabeleireiros, a "proliferação" de salões na cidade é um dos motivos da profissão ser desvalorizada. "Ela não é regulamentada, então qualquer um pode montar seu salão ou sua escola de cabeleireiro", disse Osvaldo Antônio da Silva, 41. Clientela não falta, mas na hora de escolher quem vai cortar seu cabelo é preciso confiança no profissional. "O ideal é cortar cabelo com profissionais já conhecidos ou indicados por alguém. Ver se eles já têm a prática e se cortam do jeito que a pessoa gosta", disse Elizabete Andrade.

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