Adriana Telini rompe silêncio após 4 anos e jura inocência


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Uma denúncia anônima informando que criminosos ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital) iriam resgatar a advogada Adriana Telini Pedro na cadeia de Batatais obrigou a polícia a fazer sua remoção às pressas para Franca no domingo à noite. Adriana está em uma cela no complexo da Delegacia Seccional, onde funcionava o plantão da Polícia Civil. Três policiais armados a vigiam o tempo todo. A previsão é que a advogada seja transferida ainda hoje para um presídio feminino de alguma cidade do interior paulista. Na tarde de ontem, Telini foi conduzida à sede da DIG para prestar depoimento sobre um roubo do qual é acusada de ser a mentora, cometido contra um casal de vendedores de joias. Também foi questionada sobre o período que ficou foragida. Fez uso do direito de só falar em juízo e não respondeu a nenhuma das perguntas. Ignorou ainda os pedidos de entrevista feitos pelos jornalistas que cobriam seu depoimento. No começo da noite de ontem, porém, ela aceitou quebrar um silêncio de quatro anos e recebeu o Comércio da Franca para uma entrevista exclusiva, gravada, com uma hora de duração. Pediu para não falar sobre sua vida pessoal, mas admitiu ter um filho, que teria o mesmo nome de seu noivo: Luciano. A advogada estava sentada no colchão que dorme, no chão de sua cela. No xadrez ainda havia travesseiro, edredon, toalha, escovas de cabelo e de dente, garrafas de água e de bebida isotônica e uma sacola com salgados. Como todos os presos que ocuparam a cela até o ano passado, quando o Plantão Policial deixou o prédio, Adriana Telini toma banho de água fria e faz suas necessidades fisiológicas em uma latrina. Sobre as acusações da polícia contra ela - de associação para o tráfico, formação de quadrilha, tentativa de latrocínio e uso de documento falso -, apesar de todas as evidências que a incriminam, a advogada afirmou que é inocente. Chegou a chorar. Adriana - em que pese declarar inocência - disse estar certa de que será condenada. “Acho que vou ficar uns dez anos presa”, afirmou. Reconheceu, ainda, que dificilmente voltará a advogar. Disse que foi um erro ter atuado na área criminal e que a relação próxima com bandidos mudou sua vida. “Deveria ter agido mais profissionalmente do que emocionalmente”. Segundo seu relato, um rancho na região, uma casa na periferia de Campinas e outra em Sumaré foram os locais em que esteve durante o tempo em que ficou foragida. “Fiquei sabendo do mandado de prisão pelo Comércio da Franca”, disse. Adriana Telini também revelou como foram as horas que passou na superlotada cadeia de Batatais. Garantiu que não houve problemas e que foi bem tratada pelas companheiras de cela, que teriam feito até chapinha em seu cabelo. A respeito de sua transferência, disse que não havia qualquer possibilidade de ela ser resgatada por bandidos ligados ao PCC. “Isto é balela. Quem sou eu para o PCC me resgatar?”, perguntou. Adriana Telini disse também que vai escrever - de dentro da cadeia - um livro contando toda a sua trajetória, que está “muito longe de Deus” e que precisa de ajuda psicológica. Afirmou ainda que já pensou em se matar e que espera uma visita do médium João Berbel. “Não sou um monstro”, afirmou.

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