<b>Comércio da Franca</b> - Como foram as horas que você passou na cadeia de Batatais?
<b>Adriana Telini Pedro</b> - Fui muito bem recebida. As meninas de lá são uns amores. Até fizeram chapinha no meu cabelo. Os agentes e o delegado também me trataram muito bem.
<b>Comércio</b> - Por que você foi transferida para Franca?
<b>Adriana Telini</b> - Não sei. Boa pergunta.
<b>Comércio</b> - E esta história de que o PCC iria resgatar você?
<b>Adriana Telini</b> - Isto é balela. Imagina. Quem sou eu para o PCC me resgatar? Não faço parte de facção criminosa nenhuma. Não tenho esta força. Alguém arriscaria a vida para fazer um resgate de graça?
<b>Comércio</b> - O que você tem a ver com o roubo de joias ocorrido diante de seu escritório?
<b>Adriana Telini</b> - Não tenho nada. Simplesmente iria comprar as alianças, pois ia me casar. Já conhecia a Bete (vendedora) anteriormente. Fiquei sabendo do roubo por ela, que gritou tanto. Saí lá fora e fui acudir ela. Eu não tramei nada. Sou inocente. Durmo tranquila.
<b>Comércio</b> - O Luciano, seu companheiro, é apontado pela polícia como um bandido perigoso. Ele estava em seu escritório no dia do crime e recebeu uma ligação minutos antes do roubo. Ele teve participação?
<b>Adriana Telini</b> - Não que eu saiba. Confio nele.
<b>Comércio</b> - Não seria muita coincidência ter ocorrido o roubo tão logo o casal deixou seu escritório?
<b>Adriana Telini</b> - Claro que não. Estava escolhendo nossa aliança de casamento. Nós, ainda, que fomos acudir a Bete, que estava gritando como uma louca na esquina.
<b>Comércio</b> - E as provas que a polícia afirma ter contra você, como a relação das ligações telefônicas que o Luciano fez enquanto vistoriava as joias, das ligações que vocês receberam?
<b>Adriana Telini</b> - Estas provas não existem. Quem me ligou foi um amigo perguntando que horas o Luciano ia para a rodoviária. Eu falei: agora não posso te atender, pois estou atendendo a Bete. Só isto.
<b>Comércio</b> - Você também é acusada de tramar roubos contra clientes, de esconder fugitivo em seu escritório...
<b>Adriana Telini</b> - Eu te pergunto: existiu algum roubo ou não passou de escuta telefônica ilegal?
<b>Comércio</b> - As escutas flagraram você orientando como fazer o roubo. O crime só não aconteceu por acaso...
<b>Adriana Telini</b> - Por uma escuta você sabe se eu estava brincando ou não? Foi uma infantilidade grande de minha parte. Foi querer brincar de bandido e mocinha. Tinha plena convicção de que não ia acontecer nada. Só estava tentando mostrar, na época, para o Evandro (suposto integrante do PCC que estava preso em uma penitenciária) que eu estava tentando ajudar. Falei muita besteira no telefone. Não deveria ter falado com o “Perna”, com o Evandro, não devia ter emprestado meu telefone para ninguém. Deveria ter agido mais profissionalmente do que emocionalmente. É onde errei.
<b>Comércio</b> - Você se arrepende de alguma coisa?
<b>Adriana Telini</b> - De ter advogado na área criminal. Em outro setor teria muito menos problemas. Não teria advogado para certas pessoas, exceto para meu marido (Luciano).
<b>Comércio</b> - Você imaginava que a polícia fosse te encontrar?
<b>Adriana Telini</b> - Acho que não, mas sabia que era difícil viver fugindo eternamente.
<b>Comércio</b> - Como a polícia te descobriu?
<b>Adriana Telini</b> - Não sei. Eles bateram lá na porta e perguntaram se alguma pessoa tinha pulado no quintal uns dias antes. Disse que podiam entrar para olhar. Acho que as crianças me chamaram de Adriana. Acho que me reconheceram.
<b>Comércio</b> - Há quanto tempo estava em Sumaré?
<b>Adriana Telini</b> - Há quatro meses. Antes, eu estava em Campinas. Estava no meu rancho aqui na região quando fiquei sabendo do meu mandado de prisão pelo Comércio da Franca.
<b>Comércio</b> - Como fez para se sustentar durante a fuga?
<b>Adriana Telini</b> - Minha família... eu tenho casa de aluguel. O depósito caía direto na conta.
<b>Comércio</b> - Como conversa com seus pais?
<b>Adriana Telini</b> - Conversando...
<b>Comércio</b> - Pelo telefone?
<b>Adriana Telini</b> - É, pelo telefone...não, por carta eu falava com minha mãe.
<b>Comércio</b> - Você foi visitar o Luciano na cadeia?
<b>Adriana Telini</b> - Não. Me comunicava com ele por meio de cartas.
<b>Comércio</b> - Do que você mais sente falta?
<b>Adriana Telini</b> - Sinto falta da minha casa, da minha família, sinto do meu filho. Sinto falta de sentir um ventinho na cara. Sinto uma revolta muito grande de estar no lugar que estou sem ter passado fita (ajudado em roubos) para ninguém.
<b>Comércio</b> - Pretende voltar a advogar?
<b>Adriana Telini</b> - O futuro a Deus pertence, mas acredito que não.
<b>Comércio</b> - O que você projeta para o futuro?
<b>Adriana Telini</b> - Não sei. Acho que vou ficar uns dez anos presa.
<b>Comércio</b> - É verdade que você não quer ser levada para um presídio controlado por facção rival ao PCC?
<b>Adriana Telini</b> - Sim. Eu não vou para uma cadeia que não seja controlada pelo partido. Bato o pé e não entro. Não matei filho, não matei pai, não matei mãe. Cadeia de oposição eu não entro.
<b>Comércio</b> - Como você está se sentido?
<b>Adriana Telini</b> - Estou abalada. Fui trazida para Franca em uma viatura. Pensei que a OAB fosse me dar respaldo, mas não. Vim que nem um porco atrás. Um investigador me chamou de vaca dentro da delegacia, estou muito sentida. Pretendo escrever um livro da minha vida. Acho que minha história de vida vai dar um livro. Vou contar tudo desde quando eu nasci.
<b>Comércio</b> - Como é deixar de ser uma advogada e virar uma presidiária?
<b>Adriana Telini</b> - É conhecer os dois lados da vida. Agora é que vejo como quem está aqui deste lado sofre. As pessoas precisam saber que do outro lado da grade vive um ser humano.
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O áudio da entrevista está disponível na íntegra, no <a target="_blank" href="http://gcnvaz.wordpress.com"><b>Blog do Vaz</b>.
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