Pela primeira vez em cinco anos, o ritmo de crescimento da frota de veículos novos em Franca caiu. No ano passado, foram emplacados 1.095 motos e carros novos a menos que em 2007. Ao todo, o número de veículos novos emplacados no município que chegou a 8.733 em 2007, despencou para 7.638 em 2008. O mercado de motocicletas foi o que registrou a maior queda no crescimento, 16%, contra 7,5% na comercialização de carros de passeio. Os dados constam do levantamento anual realizado pela Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito) e refletem a redução das vendas no setor.
A diminuição acompanhou o calendário da crise econômica mundial e teve seu ápice em novembro do ano passado. Naquele mês, foram vendidos apenas 167 carros e 159 motos, quando no mesmo período de 2007, os números atingiram patamares recordes de 315 carros e 545 motos.
Já em dezembro, quando o governo federal concordou com a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), as vendas começaram a dar sinais de melhora. “Juntando as bonificações da fábrica para conquistar o consumidor e o desconto do IPI, um carro zero-quilômetro saiu até 10% mais barato do que antes da crise. A medida deu tão certo que naquele mês deixamos de vender 30 unidades porque não havia mais nenhum no pátio e os funcionários da montadora estavam em férias coletivas”, contou Aluísio Ambrósio, gerente de vendas da Ortovel - revendedora da Ford em Franca.
Para o professor de economia e administração da Ulbra e Fatec, Daltro Oliveira de Carvalho, o movimento descrito por Ambrósio deve ter sido sentido pela maioria das concessionárias. “Primeiro o consumidor se assustou, mas depois ele acabou se deixando seduzir pelas promoções. O ritmo de retomada, no entanto, pode ser mais lento devido à falta de crédito e aos juros altos”, disse o professor.
Juliano Goulart, gerente da Luana Motos, concorda e afirma não ter sentido diferença significativa no volume de vendas. “Esperávamos mais, porém o quadro agora pelo menos está estável. Como cerca de 60% das vendas da loja são realizadas a prazo, a dificuldade de aprovação de crédito e o aumento nas taxas de juros tornaram nossa situação bem difícil”, disse Goulart.
Para Ambrósio, a interferência da montadora, que percebeu que a situação estava se agravando e logo criou uma estratégia de reação, foi fundamental para que os negócios fossem retomados. “O mês de novembro foi o pior. Em dezembro passamos a oferecer melhores condições de financiamento, o que esquentou um pouco o mercado. Agora estamos ainda mais otimistas”, disse ele.
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