A direção do jovem


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Os bafômetros são mesmo necessários ou apenas uma grande “encheção de saco”? E a instalação de radares nas principais avenidas de Franca fez alguma diferença afinal? O Se Liga foi às ruas do município, ouviu 23 pessoas e descobriu que a opinião dos jovens francanos parece ser uma só: "Se é para o bem, tudo certo!" Não há levantamento oficial. Durante uma semana, a reportagem do Comércio da Franca percorreu as principais ruas e avenidas da cidade em diferentes horários e conversou com dezenas de jovens. A maioria deles acredita que as duas "novidades" (bafômetro e radares) recém-chegadas à cidade podem ajudar a diminuir a violência no trânsito. Em uma das pistas de treinamento em frente ao Parque “Fernando Costa”, encontramos a manicure Lorena Ferreira Silva, 19, fazendo aulas para aprender a pilotar motos. Ela acha que deve haver um bom motivo para o limite de velocidade no perímetro urbano ter sido fixado em 60 km/h. "Ninguém gosta de ser multado, mas ficar correndo por aí pode ser muito perigoso. O limite é o mínimo para se frear com segurança", disse ela. Também praticando para se tornar um motorista, encontramos o sapateiro Igo dos Santos, 28. Para ele o bafômetro pode ajudar diretamente na redução do número de acidentes. "Ter os bafômetros nas ruas só é ruim para quem tem o costume de beber e dirigir. Todo mundo sabe que (dirigir sob efeito de álcool) é proibido e perigoso", disse. E que ninguém duvide que a opinião deles é importante. De acordo com dados da Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito), em 2008 foram expedidas 6.089 novas carteiras de motorista ou cerca de 16 documentos por dia. Mais da metade está hoje nas mãos de pessoas com idades entre 18 e 23 anos. "Os jovens já são a grande maioria dos candidatos à primeira habilitação. Eles completam 18 anos e ficam loucos para dirigir, ter liberdade. É bom saber que eles estão mais conscientes", disse o delegado Marcelo Caleiro, titular da Ciretran, ao tomar ciência das respostas dadas à reportagem. INEGÁVEL... Os números não mentem. Para quem ainda tinha dúvidas se bafômetros e radares fariam alguma diferença no trânsito francano, basta dar uma espiada nas estatísticas da polícia para que elas desapareçam. Os dois radares existentes em Franca começaram a funcionar no fim de fevereiro em sistema de rodízio nas Avenidas Presidente Vargas, Moacir Vieira Coelho, Paulo VI, Doutor Hélio Palermo, Doutor Ismael Alonso y Alonso e Major Nicácio. Em nenhuma delas o motorista pode trafegar a mais de 60 km/h. Diante de escolas, o limite é de 40 km/h. Desde que a fiscalização eletrônica começou a ser feita, apenas uma pessoa morreu no trânsito, vítima de atropelamento. No mesmo período do ano passado foram três. Já o bafômetro é apontado pela Polícia Militar Rodoviária como uma das explicações para o sucesso da Operação “Carnaval” nas rodovias da região em 2009. Neste período, considerado crítico pelas autoridades, ninguém perdeu a vida por causa de acidentes. No feriado prolongado do ano passado, os desastres deixaram o triste saldo de sete mortos. Para o delegado-assistente da Seccional de Franca, Alan Bazalha Lopes, a prisão de um motorista flagrado bêbado ao volante, no entanto, pode ser determinada mesmo sem o uso do bafômetro. "Já realizamos uma série de prisões desde que a lei entrou em vigor. Quando o motorista se recusa a fazer o teste do bafômetro, mas a embriaguez é visível, o delegado de plantão tem duas opções: pede exame de sangue e libera o suspeito do flagrante, e consequentemente da prisão, ou o autua com base no depoimento de testemunhas. No último caso a pessoa só será liberada mediante pagamento de fiança, que pode variar de R$ 305 a R$ 1.220", explicou Bazalha. Claro que a fiscalização mais intensiva desencadeada nesse Carnaval não pode ser esquecida. Ela, sem dúvida, também colaborou na redução dos abusos frequentemente verificados no trânsito e nas pistas.

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