A manhã de sábado foi agitada para os sapateiros de Franca. Duas assembleias em sequência monopolizaram a atenção dos trabalhadores. Na primeira delas, os ex-funcionários da Agabê tiveram a promessa de começar a receber parte da dívida em abril.
Em seguida, o sindicato da categoria reuniu os trabalhadores diante de sua sede e apresentou uma proposta “econômica” para tentar fechar o acordo de reajuste salarial com o Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca). Caso não haja entendimento, a entidade promete usar a estratégia de fechar acordos individuais com as fábricas.
A assembleia para encaminhar os rumos da negociação salarial contou com a presença de cerca de 300 pessoas. Representantes de sindicatos de outras categorias de diferentes regiões do Estado vieram a Franca apoiar os companheiros. Não faltaram apitos, faixas e cartazes.
Também houve uma encenação especial com cinco pessoas vestidas de preto, perucas coloridas e máscara de palhaços. Um dos personagens caracterizava a morte, enquanto outro trazia no rosto a foto do empresário Mário Spaniol, que protagonizou um impasse com o sindicato há 15 dias quando ignorou a posição da entidade e fechou acordo direto com seus funcionários para flexibilizar a jornada. As brincadeiras pararam por aí.
O clima da assembleia foi tenso. O presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão do Couto, foi chamado de fujão por não ter comparecido à reunião no Ministério do Trabalho sexta-feira. Arrogante e prepotente foram outros adjetivos disparados. “Vamos provar que não somos intransigentes e apresentar uma proposta econômica. Espero que a classe patronal tenha juízo e responsabilidade para fechar o acordo”, discursou Paulo Afonso Ribeiro, presidente de Sindicato dos Sapateiros.
Foi proposto um reajuste de 7,5%, piso salarial de R$ 565, 90 horas de participação nos lucros e resultados e abono escolar de R$ 250. Também mantiveram a decisão de não aceitar o banco de horas e a flexibilização de jornada. Incentivados pelos sindicalistas, os presentes aprovaram a ideia. “Se o sindicato não quiser conversar, vamos desmoralizá-lo e fechar acordo individuais com as empresas”.
Um impasse nas negociações parece inevitável. José Carlos Brigagão afirmou que não há condição de conversar se os sapateiros não reverem algumas decisões. “Não podemos reunir com eles, uma vez que, na calada da noite, instalaram dissídio coletivo no Tribunal do Trabalho. Depois que resolverem isto podemos conversar. Sem banco de horas, não tem como negociar. É uma medida necessária para evitar demissões”.
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