Enquanto em parte do País a diferença social entre ricos e pobres começa a diminuir graças aos programas sociais e ao desenvolvimento econômico, em Franca o caminho é o contrário. O abismo que separa as famílias ricas das mais pobres aumentou.
Hoje as 641 famílias classe A da cidade consomem 26 vezes mais que as 893 da classe E. Em 2007, a diferença era de 24 vezes. Os dados apresentados são da pesquisa “Brasil em Foco”, da Target Marketing Consultoria. Eles têm por base o cruzamento de informações de fontes oficiais, como o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas). O levantamento é nacional e visa auxiliar empresários a detectar quais os municípios com maior potencial de consumo.
O aumento da disparidade entre os ricos e pobres tem ocorrido em razão da falta de mudança no perfil econômico da cidade. A indústria de Franca ainda é estritamente ligada ao setor calçadista, que oferece baixa remuneração aos trabalhadores. Para o economista e pesquisador do Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas Sociais) do Uni-Facef, Hélio Braga, a cidade necessita de diversificação nos ramos de atividade e mão-de-obra mais qualificada. “Franca ainda é muito dependente do calçado e isso é ruim. A cidade precisa descobrir uma nova vocação para que a renda dos trabalhadores possa melhorar e essa diferença diminuir”.
No levantamento, são consideradas ricas as famílias que têm renda média acima de R$ 13.680 por mês e pobres as que possuem ganhos que não ultrapassam os R$ 608. A empregada doméstica Adriana Aparecida Feliciano de Souza e o marido, o salgadeiro aposentado Flávio de Souza, compõem uma dessas famílias. Eles vivem com uma renda de R$ 500 mensais utilizados para pagar aluguel no Jardim Aeroporto II e sustentar cinco filhos com idades entre 12 e 5 anos. “A gente paga R$ 230 de aluguel, depois tem as contas de água e energia e os gastos com comida e medicamentos. Ultimamente vivemos com a ajuda de doações da Igreja”, disse Adriana, que atualmente faz bicos. Seu marido sofreu um AVC na virada do ano e não trabalha. “O dinheiro não dá nem para fazer uma boa despesa. Roupas e calçados já estamos acostumados a não comprar”.
Professor de administração, com domínio em comportamento do consumidor, Nilton de Paula Pereira diz que as justificativas para o maior poder de consumo das famílias classe A são a chegada de novos investimentos e o crescimento do setor de serviços na cidade. “Ele está em desenvolvimento. Com isso, há mais geração de riquezas, as famílias melhoram de renda e passam a desfrutar de um maior bem-estar”.
Para os especialistas, a concentração de renda nas mãos de poucos é um problema que deve ser combatido. “A ausência de favelas na cidade não é sinônimo de desenvolvimento. Grande parte da população não tem poder aquisitivo. É preciso uma dinâmica diferente para mudar esse cenário”, disse Hélio Braga.
<b>Veja o quadro abaixo</b>:
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