Sempre a vida!


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O Espiritismo é terminantemente contra o abortamento porque entende que a vida pertence a Deus, que no-la dá a fim de progredirmos. Sendo, pois, dom de Deus, só Ele pode dar ou tirar. No entender da Doutrina Espírita, em muitos casos, a vida foi cuidadosamente planejada para propiciar o progresso do reencarnante. Abortar, assim, significa violar as Leis de Deus e impedir a oportunidade de quem quer voltar à ribalta terrena para acertar-se consigo mesmo. No entanto, conforme está contido na questão nº 359 (capítulo VII, 2ª Parte) de O Livro dos Espíritos, há um caso em que o abortamento é admissível: quando a vida da mãe corre risco. Pergunta Allan Kardec: “Dado o caso que o nascimento da criança pusesse em perigo a vida da mãe dela, haverá crime em sacrificar-se a primeira para salvar a segunda?”. A resposta dos espíritos: “Preferível é se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe”. É evidente que a decisão pelo abortamento é da alçada médica, a quem cabe decidir se a vida da mãe corre risco. Ora, não são os médicos o recurso que Deus coloca na Terra para nos orientar e acudir? Numa hora tão grave como essa, certamente estarão sob a orientação dos mentores espirituais que dirigem a vida na Terra. Se, após ouvir mais de uma opinião médica, a decisão for pelo abortamento, e somente no caso do risco à vida materna, a melhor decisão a tomar, conforme dito acima pelos espíritos, é preservar-se a vida da mãe, que já existe. No caso da menina de 9 anos, estuprada pelo padrasto, grávida de gêmeos, perguntamos: a menina corria risco de vida? Sem qualquer dúvida! Afirmam-no todos os ginecologistas! Até porque o organismo da criança não está preparado para o futuro parto. Dizem os entendidos que o corpo feminino está pronto para a gravidez dos 18 anos em diante. Assim, como um organismo ainda em formação pode ser mãe? E, em se levando a gravidez a termo, como teria uma menina que ainda brinca de boneca ter condições para verdadeiramente ser mãe? Psicologicamente estaria ela preparada para enfrentar os desafios que a maternidade requer? Já não bastariam as violências que contra ela foram cometidas? Acreditamos que é muito cômodo para nós dizermos aos outros que corram o risco. São eles que vão enfrentar as consequências. Com eles ficará a dor da perda. É muito fácil dizer-se que os outros é que devem suportar a tarefa de carregar o fardo. De nossa parte, ficamos comodamente assistindo ao desenrolar dos acontecimentos. Alguém poderá perguntar: “Mas, e a fé?”. Entendemos que nestas situações é muito importante cultivar a fé, a oração. Mas, fé raciocinada, que não cancela o nosso direito de decidir, porquanto o raciocínio, a razão e a inteligência são dons que o Criador nos ofertou a fim de tornarmos a nossa vida melhor aqui no planeta. Assim, também é fé acreditar na medicina que vem de Deus! E Deus dará à menina e à família dela o amparo necessário para enfrentarem situação tão dolorosa porque passam; situação que visa ao amadurecimento moral de todos. Porquanto nada foge aos objetivos de progresso estabelecidos por Deus! Felipe Salomão Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)

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