Adolescência e sexo (II)


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Homem e mulher, se é para se unir, que seja com laços fortes. A boa estrutura do relacionamento se obtém com o aprendizado e o amadurecimento que cada etapa proporciona. Assim, com afeto, ternura, carinho, a união se consolida e dificilmente vai ruir. Não se trata de exigir que sempre concordem em tudo. Nas etapas mais avançadas da vida a dois, quando vêm os filhos, surgem dificuldades, prováveis rusgas, mas numa relação sólida elas são superadas. E, com efeito, essa efetiva superação dos conflitos fortalece cada vez mais a união. Penso que quando se pede a garota em casamento é porque se sente algo tão forte que as palavras saem sem nenhum esforço para dizer: `quero você junto comigo para o resto da vida; quero amá-la agora e sempre, mesmo nos tempos mais sombrios, mesmo quando as árvores se desfolharem, as flores secarem; quero continuar amando-a mesmo quando o nosso viço tiver cedido aos efeitos do tempo, e depois que os nossos filhos se casarem e ficarmos só nós dois, entrados em anos, quando nossas forças forem suficientes apenas para um abraço, e continuarei a amá-la mesmo depois que você também se for, porque a sua lembrança me dará forças para não perder o sentido da vida`. Puritanismo? Caretice? Pensem o que quiserem. O fato é que o modo moderninho de os adolescentes se relacionarem não tem dado bons resultados; gera filhos, mas não forma famílias; cria adultos inseguros, com propensão ao efêmero, ao fugaz, sem capacidade de assumir e manter compromissos. Quanto tempo, por exemplo, durou o casamento do Ronaldo Fenômeno com a Daniela Cicarelli? É comum mulheres dizerem que os homens interessantes estão virando raridade. Será que elas, tão permissivas, tão liberais, vulgares até, não têm grande parte de responsabilidade nisso? Será que não estão perdendo a graça? Dia desses, na TV, vi um programa no canal GNT em que uma sexóloga sessentona dá conselhos. Uma mulher apresentou a seguinte questão: o marido queria que ela o deixasse agredi-la com um chicote para machucá-la e fazê-la chorar, pois isso o excitava sexualmente. Ou seja, ele precisava humilhá-la e sentir-se superior para ter prazer. Ela disse que não estava a fim disso, mas tinha receio de não fazer o `jogo` porque não queria magoá-lo. A conselheira refletiu um pouco. Pensei que ela fosse aconselhar com firmeza a mulher a mandar o marido se catar, procurar um médico, algo assim. Ela, porém, sugeriu que a mulher experimentasse uma vez e, se não gostasse, dissesse com jeitinho ao marido. Antiquado declarado, fiquei pasmo! A mulher que aceita sofrer agressões físicas e morais, que se submete a humilhação para satisfazer desejos doentios do homem não tem amor-próprio, não se dá valor. Essa coisa de sadomasoquismo é doença e como tal deve ser tratada. Não existe uma relação no sentido mais nobre do termo se a dignidade é violada, se há violência física e moral. Amor é outra coisa, tem a ver com apreço, carinho, respeito consigo mesmo e com o outro. A visão tosca, doente mesmo, desvirtua o amor, limita-o. Esse sentimento descartável que vige não é amor. Chega de banalização, de vulgarização, de falta de essência. Os adolescentes precisam ser alertados disso pelos pais, professores e educadores em geral. Paulo Pereira da Costa Promotor de Justiça e autor do livro Pensando na Vida -– paulopereiracosta@uol.com.br

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