Era desolador


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Os historiadores se referem como desoladoras as cenas de miséria provocadas pela crise de 1929. Foram milhões de desempregados nos Estados Unidos, centenas de empresas pedindo falência, acampamento de sem-teto com mulheres e crianças abandonadas à própria sorte. Todos os países europeus e americanos experimentaram os efeitos avassaladores da quebra da Bolsa de Nova Yorque. Nesse período a economia passou da recessão, que é uma queda importante das atividades econômicas para a depressão, que significa uma forma agravada de recessão com longos períodos de desemprego, pouco ou nenhum investimento. Agora, em 2009, começam a aparecer os efeitos das práticas insustentáveis da maioria do povo americano estampadas numa crise que não se pode, nem de longe, mensurar. Algumas cidades americanas como Detroit, por exemplo, estão sendo abandonadas pela população que dependia de emprego que não existe mais. Na Califórnia, já se testemunha a existência de acampamentos de sem-tetos, parecidos com os acampamentos dos sem-terra daqui, inclusive com a bandeira quase toda vermelha. Por todo o país, filas de desempregados, aumento da violência e da mendicância. Todavia, eles não têm com o que se preocupar. Nessa segunda feira, o Presidente do Brasil, e os sátrapas da economia brasileira foram proferir palestra para os empresários americanos e demonstrar como o Brasil está lidando com a crise. Provavelmente disseram que é fácil conviver com a miséria e a violência. Basta criar “programas sociais” como os daqui. Uma bolsa-esmola de U$ 202,17 (dólar cotado a R$ 2,30), e a população vai aprovar a política econômica de Barack Obama em 80%. A criação de uma “Tropa de Elite” para enfrentar a violência e muitos “caveirões” blindados para avançar sobre os becos e suportar os tiroteios. Também devem adotar a política do circo. Muita diversão para o povo, seja através de novelas com conteúdos duvidosos, Big Brother, banheiras com mulheres seminuas se esfregando em homens no horário nobre, ou mesmo um telejornalismo débil. Tudo isso vai distrair o povo americano e eles nem vão se interessar pelas bonificações, com o dinheiro deles, claro, pagas aos “executivos” da AIG. Aqui, tudo isso dá tão certo! O povo morre aos milhares na mira da violência, nos corredores dos hospitais públicos, dentro das escolas, no trabalho, no trânsito. Há milhões de miseráveis felizes com o programa oficial de compra de votos do Governo. Os funcionários do Congresso Nacional recebem hora-extra sem trabalhar, nas férias de janeiro. Os políticos leiloam o que é público, compram fazendas, constroem castelos, depositam o dinheiro do povo em contas próprias nos paraísos fiscais, compram veículos midiáticos para a manipulação da população, carros importados, amantes de luxo, e compram, sobretudo, o que deveria estar fora de mercado: consciências! Mas dá certo. Tem dado. Esses americanos têm muito o que aprender. Se adotarem a cultura do carnaval de rua, pode ser possível que Obama se perpetue no poder. É muita felicidade! Não se pode esquecer, no entanto, do futebol. Eles precisam aprender com a gente! Domingo à tarde, todo mundo na frente da televisão ou rumo aos estádios para assistir a gols “fenomenais” e vibrarem de alegria. Se os políticos e empresários americanos aprenderem conosco e fizerem a “lição de casa”, vão poder viver felizes para sempre! Nadir Ap. Cabral Bernardino Advogada, formada pela FDF, pós-graduada em Política e Estratégia e Direito Ambiental

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