Esqueça a aparência pueril e aquele "rostinho liso como bumbum de bebê". A moda é homem barbudo, masculinizado, mas com charme de sobra. Então, dê férias para o seu barbeador e abuse dos pelos, que ao olhos da história e de diferentes culturas no mundo, atribui aos homens sabedoria, potência sexual e status social.
Hoje basta ligar a televisão para encontrar galãs e vilões barbudos nas novelas. Um exemplo é o ator Eriberto Leão, que vive o mocinho de Paraíso, novo folhetim das seis da Globo. Já na faixa das oito, a emissora aposta em Rodrigo Lombardi, que interpreta o indiano Raj em Caminho das Índias. A barba cerrada também está presente nos personagens da Record: no bandido Nando (Ângelo Paes Leme), de A Lei e o Crime, e em Tomás (Bruno Ferrari), de Chamas da Vida.
Inspirado ainda pelo personagem de Murilo Benício, o malandro Dodi, da novela global A Favorita (2008), e no visual do ator Rodrigo Santoro, logo após o Carnaval o gastrônomo Luís Aurélio Santiago, 31 (na foto à esquerda), resolveu adotar de vez o visual "homem barbado". "Sempre gostei de barba, mas durante o curso de Gastronomia não podia usar", explica Lelinho, como é conhecido, que optou pela barba cerrada - chamada também de asa-delta. "Ela deixa o rosto mais natural e despojado."
Para o francano, é evidente que o homem que usa barba fica mais masculinizado. "A mulherada comenta. Acho que está no inconsciente da mulher. O homem fica mais atraente", acredita, confessando que a barba ajuda na hora da conquista. "Gosto de mudar sempre o visual. Para a mulher é mais fácil mudar através dos cabelos, já para o homem a opção é a barba. Estou bem assim", afirma.
Já que o nosso "galã" citou em sua entrevista várias vezes as mulheres, vamos então perguntar às mais interessadas o que elas acham do look à homem das cavernas.
A estudante de Enfermagem Letícia Corona Estanti, 20 anos, aprova. "A barba deixa o homem com um ar mais sério e maduro", garante. Essa também é a opinião da jornalista Lisa Paiva, 26. "É legal, mas o visual tem que combinar com a pessoa.
Particularmente, acho que a barba cerrada ou cavanhaque fica mais interessante em homens com idade a partir dos 35 anos. De qualquer jeito, é sedutor. Adoro sentir a barba roçar no rosto", afirma.
Mas nem todas as mulheres aprovam a barba de Lelinho. "Minha mãe odeia, fala que eu fico com cara de doente. Mas o que vale são os elogios que recebo: elas dizem que fico mais charmoso", ressalta Lelinho, que para manter o visual bonito toma alguns cuidados. "Para aparar os pelos do queixo e fazer o desenho da barba uso a pinça, mas no pescoço prefiro o aparelho, dói menos (risos)", conta (confira abaixo dicas de um especialista).
HISTÓRIA
O ato de barbear é antigo e remonta há 30 mil anos, ou seja, desde que o homem descobriu que a pedra lascada podia ser afiada e usada para diminuir os pelos do corpo. Bem depois, já entre os gregos, o uso da barba se tornou bastante comum. Mas durante a dominação macedônica essa tradição foi severamente proibida pelo rei Alexandre, O Grande. O líder político e militar acreditava que a barba poderia trazer desvantagens aos soldados durante um confronto direto.
Na civilização romana a barba integrou um importante ritual. Antes de alcançarem a puberdade, os rapazes não podiam cortar nenhum fio de cabelo ou barba. Quando atingiam o momento de passagem entre a infância e a juventude, raspavam todos os pêlos do corpo e os ofereciam aos deuses. Nessa mesma sociedade surgiram os primeiros cremes de barbear, produzidos com óleo de oliva.
Só em 1770 o francês Jean-Jacques Perret criou o primeiro modelo de navalha para barbear. No século seguinte os irmãos americanos Kampfe inventaram a famosa navalha em "T". O grande salto foi dado pelo vendedor King Camp Gillette. O então caixeiro viajante percebeu a possibilidade de adotar lâminas descartáveis para os barbeadores. Com o auxílio de Willian Nickerson (engenheiro do Instituto de Tecnologia de Massachusetts), criou um aparelho que domina o mercado até hoje.
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