Sem procura, álcool sobra nos estoques e preço despenca


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Depois de um ano de sucessivos aumentos, o preço do álcool despencou nas bombas dos postos de Franca nos três últimos dias. O combustível fechou a semana custando, em média, R$ 1,49 o litro. Até quinta-feira, a maior parte dos estabelecimentos vendia o produto por R$ 1,79.

A queda é explicada pelo excesso de oferta. Ao preço de quase R$ 1,80, o álcool havia deixado de ser vantajoso em relação à gasolina, que é mais cara, mas tem maior rentabilidade. Os motoristas passaram a optar pela gasolina, isso derrubou o consumo de etanol. Com sobras no estoque, o preço do álcool, claro, caiu. A boa e velha lei da oferta e da procura.

Agora, para desovar o estoque, usineiros, distribuidores e comerciantes foram obrigados a rever para baixo a tarifa. Com o início da safra, na próxima semana, a tendência é de mais queda.

ALTOS E BAIXOS
Em abril do ano passado, os postos chegaram a vender o álcool por R$ 0,89. O consumo explodiu na cidade e não demorou para para que os preços fossem reajustados. No fim do ano, a correção havia sido de 100% e o combustível atingiu o preço mais alto registrado nos últimos dois anos. Além do crescimento de consumo, a outra justificativa para a alta foi o excesso de chuva.

No sábado, 20, o Comércio publicou reportagem mostrando que o álcool havia deixado de ser sinônimo de economia e que começava a ser trocado pela gasolina. O preço médio de R$ 1,79 correspondia a 72% do preço da gasolina. Para ser vantajoso, o percentual não poderia ser superior a 70%.

De quinta para sexta-feira, os motoristas foram surpreendidos com a redução nos preços. A queda média foi de R$ 0,30. “Para ser honesto, não sei exatamente qual a razão. É uma questão de mercado. Como estava vendendo mais gasolina, o mercado forçou o preço para baixo”, comentou Walter Luiz Silveira, presidente do Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo) de Franca.

Sérgio Prado, diretor-regional da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) disse que preço médio do etanol hidratado recebido pelos produtores vem caindo há quatro semanas e que, só agora, a redução passou a ser verificada nas bombas. “Não é de agora que o preço caiu. O mercado do etanol é volátil, pois não tem um estoque regulador. Como houve uma queda muito acentuada no consumo - cerca de 40% - e já uma tendência de as usinas começarem a moer a cana em meados de março, o estoque passa a ter um certo conforto para atender o mercado. Se a gasolina passou a ser mais competitiva, o etanol não pode ficar em desvantagem. Então, é natural que haja uma acomodação para baixo”.

Na avaliação do diretor, o preço do álcool pode se tornar ainda mais atrativo a partir de março quando as usinas começaram a moer a cana. “A tendência é de nova queda”. Os motoristas agradecem.

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