O jovem Sander Luís de Oliveira, 15, usa a música para extravasar a ansiedade. Sander tem cegueira parcial desde que nasceu. Ele encontrou na música um meio de esquecer da deficiência e dos problemas enfrentados no cotidiano. Aos 13 anos, entrou para o Projeto Guri depois de ouvir uma amiga da mãe contar sobre o programa. “Eu queria aprender a tocar bateria. Peguei a última vaga”. Passados dois anos, desde que ingressou na instituição, Sander tem muito a contar. “Aprendi muitas coisas novas. Melhorei minha coordenação e a ler as partituras. Antes eu não sabia nada disso”.
Sander conta que quando está triste ou estressado, corre para a bateria que os pais compraram para ele poder treinar em casa quando não está no Projeto Guri. “Sabemos o que o Sander está sentido só observando a forma como ele está tocando. Se toca mais forte, está estressado ou ansioso. Antes de começar a tocar bateria, o meu filho era inquieto e muito nervoso. Hoje é bem mais tranquilo”, afirma o pai do jovem, José Luís Oliveira, pespontador de 47 anos.
Com as técnicas aprendidas na instituição, Sander dá um show quando se apresenta nas reuniões familiares. O problema com a visão não atrapalhou em nada a paixão de Sander pela música. “Meu professor me disse uma vez que os deficientes visuais têm o ouvido mais apurado. É verdade. Isso me ajuda muito”, disse o menino que sonha em um dia ingressar em uma faculdade para se aperfeiçoar ainda mais.
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