Notas que transformam


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<b>TRANSFORMAÇÃO</b> - Dedos já treinados manuseiam o trompete com facilidade durante as aulas no Projeto Guri em Franca ministradas no Projeto Guri em Franca
<b>TRANSFORMAÇÃO</b> - Dedos já treinados manuseiam o trompete com facilidade durante as aulas no Projeto Guri em Franca ministradas no Projeto Guri em Franca
Não importa a cor, religião ou classe social. No mundo da música, o que faz diferença é a dedicação - e, claro, uma dose de talento. Mais de 4,6 mil jovens da região participam de programas musicais gratuitos oferecidos por prefeituras e entidades - entre eles estão o Projeto Guri, Orquestras de Violão de Cristais Paulista e São José da Bela Vista, o Centro Musical “Heitor Combat”, em Cássia (MG), e o Projeto Música de Patrocínio Paulista. Muitos já sentiram que a música tem um grande poder transformador. O cantor José Mauro Theodoro, 19, é um exemplo. O menino um dia se encantou pelo som que saía do violão de um vizinho e hoje não consegue viver longe da música. A vontade de aprender era tamanha que o levou até o Projeto Jovem Cidadão, ministrado pela Prefeitura de São José da Bela Vista. “Eu tinha 13 anos quando entrei para o projeto. Aos 15 me matriculei nas aulas de violão e só sai aos 17 anos para estudar em Franca. No projeto, aprendi a teoria e a prática. Passei a treinar em casa com o violão que ganhei da minha família”. Pouco depois de deixar o programa, Mauro formou uma dupla sertaneja com um amigo que foi batizada de Mauro & Júnior. “A música me trouxe equilíbrio e paz interior. Hoje consigo encarar meus problemas com outros olhos. Toda criança deveria se envolver com a música porque ela ajuda na formação do caráter e a fazer novos amigos”, disse o cantor que trabalha como técnico agrícola na Casa da Agricultura de São José da Bela Vista, mas sonha em viver da música. Enquanto o sonho não se concretiza, ele está feliz em fazer uma média de dez apresentações por mês em cidades da região e até de outros Estados. As aulas de violão do Projeto Jovem Cidadão atendem 80 jovens que, uma vez por semana, ensaiam durante 1h30. Quem se destaca, vai parar na Orquestra de Violão. Atualmente, a orquestra tem dez alunos e oito violões. Mesmo diante da falta de instrumentos, o professor Luís Cláudio Dutra, 37, não desanima. “Quando temos apresentações mais importantes, saio pela cidade pedindo violão e uso até o meu se for preciso”. A orquestra foi criada em 2005 e já gravou três CDs. A gravação é doméstica com um único objetivo: guardar de recordação para mostrar para gerações futuras. <b>MUDANÇAS</b> A dedicação à música tem feito verdadeiros “milagres” na vida destes meninos. “O engraçado é que muitas pessoas dizem que alguns deles são indisciplinados e que dão muito trabalho em casa ou na escola. Durante as aulas de violão são outros. São centrados e interessados. Não me causam nenhum problema”, disse o professor Luís Cláudio Dutra. Em Cristais Paulista, a música encanta cerca de 200 jovens que tocam instrumentos como violão, teclado, flauta doce ou fazem parte da Orquestra de Violões, Orquestra de Flautas Doces ou da Banda Marcial Municipal. O interesse pela música na cidade é tão grande que todo ano a Secretaria Municipal da Cultura realiza o Concurso de Bandas Musicais e Fanfarras Simples que atrai corporações até de outros Estados. O secretário municipal de Cultura, Márcio Dib, se orgulha em dizer que todas as modalidades estão preparadas para apresentações. Basta fazer o convite. Márcio Dib acompanha de perto a evolução destes jovens. “A transformação que a música faz na vida deles é grande e gradual. O jovem musicalizado fica mais humano, tem a sensibilidade mais aguçada e se torna uma pessoa melhor. Sem falar no patrimônio material que ele carrega com ele. A cultura, assim como a educação, é um processo transformador”. Na cidade de Patrocínio Paulista, a música faz parte da vida de 170 jovens com idades entre nove e 20 anos. A Prefeitura desenvolve o Projeto Música com a Fanfarra Municipal que envolve alunos da rede municipal das escolas “Irmãos Matos” e “Luiz Andrade de Freitas”. Há ainda a Banda Marcial e o Projeto Iniciação Musical com flauta doce. <b>EMPENHO COMUNITÁRIO</b> Em Rifaina, o ponto de encontro de quem gosta de música é na Escola Musical de Cordas Comunitária. “A nossa missão é ensinar as técnicas do violão, viola e cavaquinho. As aulas são ministradas gratuitamente. Disponibilizamos instrumentos para os alunos que não têm condições de adquirir o seu próprio para ensaiar em casa”, disse o colaborador cultural de Rifaina e responsável pela escola até este mês, Cezar Cardoso. [FOTO2] Para desenvolver o projeto, a Prefeitura conta com o apoio da comunidade e empresários que ajudam na aquisição de equipamentos. “Para eles é um privilégio poder estudar e aprender a tocar um instrumento sem ter que sair da cidade e sem pagar mensalidade”, disse Cardoso, que faz questão de acrescentar: “A Escola Musical de Cordas Comunitária é uma realidade palpável. Uma valiosa ferramenta de formação cultural neste mundo onde os jovens, cada vez mais, se prostram frente a um computador por horas a fim. Deixando de desenvolver talentos que talvez nunca saberão se os têm”.

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