Família vive há mais de um mês alojada em escola


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<b>SEM LAR</b> - Itamar França e a mulher Adriana, com os filhos Leandro, 7, e Leonardo (bebê de colo) na sala de aula que se transformou em quarto para a família
<b>SEM LAR</b> - Itamar França e a mulher Adriana, com os filhos Leandro, 7, e Leonardo (bebê de colo) na sala de aula que se transformou em quarto para a família
Há 34 dias, o casal Adriana e Itamar França e os quatro filhos estão alojados em uma escola infantil no Jardim Palmeiras. Vítimas da enchente que levou tudo que tinham e abalou a estrutura da casa onde moravam, eles passaram a depender do Poder Público para viver com segurança. O local escolhido pelo município para abrigá-los foi a unidade construída para receber alunos. Hoje, desativado, o prédio conta com os moradores que ocupam dia e noite o refeitório, as salas de aula e o pátio que serve como quintal. Desde que passou a morar na escola, a família tem recebido assistência da Prefeitura no que se refere à alimentação básica. Populares doaram móveis, colchões, roupas e sapatos, que hoje substituem aqueles que foram levados pela enxurrada. Antes da enchente, Adriana mantinha uma loja em frente sua casa. Por ter problemas de epilepsia e pressão alta, seu marido passou a ajudá-la no negócio, montado há três anos. Do pequeno comércio, eles tiravam o sustento para os quatro filhos Letícia, 14; Luís Felipe, 11; Leandro, 7, e Leonardo, de nove meses. Na noite do dia 16 de janeiro, tudo acabou. Os produtos novos da loja e da casa foram levados pela água. A estrutura da casa ficou comprometida e eles precisaram abandoná-la. Hoje duas das quatro salas de aula da escola são utilizadas como quarto e sala da família. O refeitório se transformou em cozinha e lavanderia. O pátio é o quintal onde Adriana coloca as roupas para secar e as crianças brincam. Pelo portão de grades, quem passa na rua pode observar tudo que acontece lá dentro. “Nem comemos sossegados. Todo mundo que passa olha para cá. Tem gente que ainda tenta entrar dizendo que o prédio é público”, reclama. Da casa onde moravam, só restaram as paredes. Ela não pode ser habitada até que o município decida se irá indenizar a família ou reestruturá-la. Essa decisão ainda não saiu do papel. A demora incomoda a comerciante Adriana França. “Estamos aqui, esperando uma decisão da Prefeitura, mas não dão nenhuma resposta”. Além de não ter respostas sobre quando poderá mudar para uma casa, a família agora assiste à depredação do imóvel que possuíam. Uma das paredes teve de ser demolida por conta de risco de desabamento, mas, abandonada, a casa foi invadida por vândalos que arrancaram portas, pia, tanque e fios de alta-tensão. “O que a gente faz é esperar em Deus, pedir paciência, calma para passar por tudo isso”, disse Adriana. Procurada, a secretária de Urbanismo, Valéria Marson, disse que a Prefeitura deve tomar uma decisão sobre o caso ainda nesta terça-feira.

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