O toque do trompete triunfal marcou a entrada solene de Dom Pedro Luiz Stringhini, 56, no Ginásio Poliesportivo, na tarde do último domingo. Aclamado de pé e escoltado por policiais militares para descer as escadas em meio ao povo, o bispo -nomeado em dezembro passado pelo Papa Bento 16 para comandar a Diocese de Franca - foi recebido por uma multidão de oito mil pessoas (público estimado pela Cúria Diocesana) para a cerimônia festiva que o empossou como terceiro bispo à frente da diocese.A missa cheia de ritos e com presença do alto clero da Igreja Católica, além de autoridades civis, durou mais de duas horas. Apesar do forte calor e do espaço concorrido - não se circulava nos corredores e nas escadas -, nenhum fiel arredou os pés do ginásio transformado em igreja, enquanto Dom Pedro não deu a benção final em meio a uma chuva de papéis prateados.
A cerimônia principal começou com a leitura da Bula Papal, documento feito pelo próprio Papa que nomeia, oficialmente, o novo bispo. Coube ao professor Éverton de Paula, membro da Academia Francana de Letras, ler o texto em latim (que logo em seguida foi traduzido para o português pelo chanceler do bispado, padre Célio Adriano Cintra). Na sequência, Dom Joviano de Lima Júnior, arcebispo de Ribeirão Preto, presidiu a celebração no altar montado em forma de cruz. Foi por suas mãos que Dom Pedro foi conduzido até a cadeira doutrinal (cátedra) e recebeu a mitra (espécie de chapéu) e o báculo (bastão), símbolos do bispado. Em seguida, o novo bispo diocesano saudou a todos e foi ovacionado mais uma vez. Antes da missa começar, houve até olas. “Ele é maravilhoso, um presente de Deus para Franca”, disse emocionada a dona de casa Maria Rita, do Jardim Aeroporto.Admirado com a recepção calorosa que recebeu, Dom Pedro quebrou todos os protocolos para poder tocar o máximo de pessoas que estendiam as mãos. Eufóricos, os católicos se aglomeravam para tirar fotos e beijar a mão do novo pastor. Quem estava de longe, acompanhava de binóculo.Depois do evangelho, o novo bispo de Franca fez um discurso emocionado onde exaltou as belezas da região e elogiou o café e o pão de queijo, falou do contato que teve com prefeitos, da visita a uma fábrica de calçados e dos cenários tristes encontrados na diocese.
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“Visitei famílias pobres e conheci a realidade sofrida de pessoas que vivem nas ruas e nas drogas”, disse em referência a matéria publicada pelo Comércio da Franca, no dia 11 de fevereiro, que retratou a vida de 12 moradores de rua que vivem no subsolo de um prédio abandonado na Avenida Major Nicácio. O bispo visitou o local no sábado, dia 13. “Dom Pedro é um bispo de muitas qualidades e que certamente poderá colocar toda sua experiência e seu dinamismo a serviço da diocese. Foi um chamado de Deus, que veio através da voz do Papa, para que ele assumisse a Igreja de Franca”, disse o cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo. Antes da nomeação, Dom Pedro trabalhou por 30 anos na zona leste da capital paulista. Nos últimos nove anos, foi bispo auxiliar na região denominada Belém. Após o término da celebração, Dom Pedro levou quase meia hora para chegar ao vestiário adaptado em sacristia. Ao tirar os ornamentos dourados, atendeu a imprensa, posou para fotos e recebeu presentes de inúmeros admiradores que o esperavam na porta. O bispo, que chegou definitivamente na cidade há dez dias, começa a atender hoje na Cúria Diocesana.
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<i>Fotos de: Sérgio de Pinho, Tiago Brandão e Marcos Limonti</i>.
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