Uma religião genuinamente brasileira, nascida na Floresta Amazônica, chegou a Franca. Montada em dois cômodos nos fundos de um bar, no Parque Universitário, reúne 30 seguidores, com idades entre 18 e 40 anos, para tomar uma bebida de cor marrom que promete unir o homem a Deus e permitir o autoconhecimento: o Santo Daime, uma espécie de chá, também chamado de vinho das almas.
O grupo de vendedores, estudantes e profissionais liberais garante que a religião mudou suas vidas. O comerciante Gustavo De Santis Castro, 32, era viciado em drogas e álcool e diz que conseguiu se livrar da dependência com ajuda do Daime, que conheceu há três anos. “O Daime é um antioxidante forte que é ingerido para uma expansão da sua consciência, para você se conhecer melhor, encontrar o seu eu superior, que é Deus dentro de você. Ao mesmo tempo, na matéria, você cura as suas enfermidades”.
Gustavo garante que outros amigos conseguiram vencer o vício seguindo a doutrina. O comerciante e sua mulher Gabriela Tomazini, 33, trabalham para oficializar o centro daimista em Franca. Não há data para isso acontecer porque precisam conseguir uma área para construir o templo. Até dezembro de 2009, os francanos se deslocavam duas vezes por mês para Ribeirão Preto para participar dos cultos ao Santo Daime, mas decidiram realizar cerimônias na cidade.
Enquanto a sede não é construída, os francanos continuarão as reuniões no Parque Universitário. No local, um quarto é utilizado para as cerimônias e outro para os participantes se recuperarem após receberem curas espirituais. No cômodo principal, a mesa central é no formato de uma estrela de seis pontas, um dos símbolos mais tradicionais da doutrina. Sobre ela, há uma enorme cruz com dois “braços”. Nas paredes, há várias imagens de santos, anjos, médiuns espíritas, como Chico Xavier e Allan Kardec. Os seguidores acreditam em Cristo e reúnem crenças de outras religiões. Acreditam em reencarnação, por exemplo.
<b>ORIGEM</b>
Nos centros daimistas sempre há fotografias do mestre Irineu, um senhor negro, alto e forte que criou a religião na década de 30 do século passado. Estava no Acre quando tomou o Daime e teve a visualização de Nossa Senhora da Conceição que lhe inspirou a criar a doutrina, que hoje expandiu para outros Estados brasileiros e países.
Os adeptos do movimento religioso seguem um calendário oficial e comemoram com festas demoradas o dia de São João, por exemplo. Um dos cultos para festejar essa data chegou a durar 14 horas. Só foi encerrado quando nenhum dos presentes estava mais sob o efeito do Daime. Os daimistas realizam, dias 15 e 30 de todo mês, as chamadas concentrações.
<b>RITO</b>
Em Ribeirão Preto, estes cultos duram em média três horas. Os participantes usam roupas claras (as fardas) e no salão permanecem em grupos separados de homens e mulheres. Iniciam as cerimônias rezando três orações do Pai-Nosso e três Ave-Marias e encerram repetindo-as mais uma salve-rainha. Tomam as doses do Daime para dançar e cantar os hinos que, acreditam, foram todos inspirados pelo mundo espiritual. Nos rituais, utilizam vários instrumentos musicais, como os maracás (chocalhos).
No Brasil, o Santo Daime ficou mais conhecido na década de 80 quando a imprensa passou a divulgar mais o tema. Famosos, como a atriz Maitê Proença, já declararam ter consumido o chá. Em 1987, o governo brasileiro liberou o consumo da bebida para fins religiosos. Estudos apontaram que a chacrona, uma das plantas usadas no feitio do Daime, contém uma substância alucinógena. “As pessoas falam que é alucinógeno, mas não tem nada disso, você não vê coisas. O Daime é enteógeno, ou seja, leva você a seu interior, a uma introspecção”, disse Gustavo.
<b>Veja o quadro abaixo</b>
<p style="text-align: center;"><a target="_blank" href="http://gcncomunica.files.wordpress.com/2010/02/curiosidades-sobre-o-santo-daimo2.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-3369" title="arte/comerciodafranca" src="http://gcncomunica.files.wordpress.com/2010/02/curiosidades-sobre-o-santo-daimo2.png" alt="" width="300" height="283" /></a></p>
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